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Perdeu, Mané! Uma crônica de outro mundo

O ocorrido tem provocado a curiosidade inclusive dos caçadores de fantasmas, que tentam entender, sem sucesso, a relação entre a frase, o monistro e a sentença que a revolucionária está para receber

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Romualdo da Cruz Filho
mar 25, 2025
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Os brasileiros assistem atônitos a revolução causada por apenas uma mulher, que feriu de morte o monistro Alessandro de Moreas ao disparar seu batom e escrever em uma estátua, em frente à Suprema Corte, “Perdeu, Mané”.

O fenômeno ocorrido tem provocado a curiosidade inclusive dos caçadores de fantasmas, que tentam entender, sem sucesso, a relação entre a frase, o monistro e a sentença que a revolucionária está para receber.

“Se conseguirmos decifrar este enigma, talvez consigamos também entender como a mente humana reage quando um homem, no alto do seu brio e vaidade, descobre que não passa de um porta-voz do submundo, onde dormem todos os seres das trevas”, disse em anonimato um ghost hunter a este site.

“Uma pena desta monta a uma mulher armada de batom só pode ser dimensionada por alguém que vive sob as influências de forças ocultas, como o caso do monistro. Seus olhos revelam algo que a dimensão humana não consegue mais captar”, observou outro mestre em lunáticos.

Evidente que o monistro vem sendo socorrido pelos seus pares desde o dia fatídico, em que a senhora, sem saber muito bem o que estava fazendo, chegou de buzão em Brasília para cumprir a missão que a deixará para a histórica. Há a possibilidade inclusive de redução de pena da terrorista de frase de efeito para salvar Moreas, de forma indireta, de seus excessos.

Sob tratamento intensivo e à base de sedativos na casa de orates, depois da explosão sensorial do golpe de batom, que descontrolou sua lógica e acentuou seus delírios golpistas, sem a qual ele poderia tomar medidas sensatas e morrer de vergonha, Moreas mantém-se abaixo do senso de realidade, mas incrivelmente disposto.

Os médicos da democracia diagnosticaram o paciente e constataram que de fato o batom na estátua teve a força moral de perfurar o tecido que liga sua capacidade cognitiva ao seu entendimento de realidade, que era avesso à razão e se tornou também avesso ao senso de responsabilidade.

“O golpe o impede de perceber o naufrágio de sua identidade moral e submerge sua honradez”, observou outro analista do cenário. Por sua vez, a mulher do batom continua presa e deve ser condenada, mesmo considerando que, no momento em que registrou a frase destruidora “Perdeu, Mané” estava alheia a consequências do que fazia e não pensava sequer em agredir um reles invertebrado. Mas os invertebrados não a entenderam da mesma forma.

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Romualdo da Cruz Filho
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