Pesquisa pioneira mapeia a variação do estoque carbono orgânico dos solos brasileiros
Estudo foi conduzido no Programa de Pós-graduação em Solos e Nutrição de Plantas da Esalq/USP
Um estudo desenvolvido pelo engenheiro agrônomo Nícolas Augusto Rosin, doutor pelo Programa de Pós-graduação em Solos e Nutrição de Plantas da Esalq, sob orientação do professor José Alexandre Mello Demattê, do Departamento de Ciência do Solo da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), permite a geração de mapas digitais inéditos sobre o estoque de carbono orgânico do solo no Brasil e a capacidade dos solos do mundo em produzir alimentos e biomassa.
“O trabalho nasceu da necessidade de avançar em técnicas para mapeamento de atributos e de funções e do solo no espaço e no tempo”, conta o pesquisador. Para isso, a equipe do grupo Geocis da Esalq/USP compilou extensos bancos de dados nacionais e globais e utilizou informações ambientais obtidas por sensoriamento remoto. Um modelo de aprendizado de máquina multi-temporal foi utilizado para gerar os mapas de estoque de carbono do solo para diferentes profundidades, no espaço e no tempo, enquanto funções de utilidade — relacionando atributos do solo à produtividade das principais culturas — permitiram espacializar o potencial produtivo agrícola em escala mundial.
Os resultados mostram que, no Brasil, o estoque de carbono orgânico no solo manteve-se relativamente estável nos últimos 40 anos. As principais perdas ocorreram em áreas onde florestas nativas foram convertidas para uso agrícola, enquanto a intensificação da agricultura — como a conversão de pastagens em lavouras — contribuiu para aumentar o estoque de carbono. Em nível global, o mapa de capacidade produtiva revelou contrastes marcantes no potencial agrícola entre diferentes regiões do planeta.
Segundo Nícolas Rosin, o avanço na geração desses mapas digitais pode oferecer importantes benefícios para agricultores, formuladores de políticas públicas e gestores ambientais. “Essas ferramentas permitem planejar o uso da terra com mais eficiência e embasamento científico, contribuindo para práticas agrícolas mais sustentáveis e produtivas”, destaca.
O projeto contou com financiamento da FAPESP e reforça o papel da ciência do solo na busca por soluções globais para a segurança alimentar e a mitigação das mudanças climáticas.
Clique aqui e acesse o vídeo gravado para o projeto Construindo Ciência, onde o pesquisador fala um pouco mais sobre o estudo.