Há eleitores que acreditam que ser de esquerda é ser mais humanista; há os que acreditam que o humanismo de esquerda é só para enganar trouxa.
Eu achava que a frase era de Nelson Rodrigues, mas a IA me ensinou que não existe referência direta sobre a fonte que deu origem ao pensamento. O fato é que a frase é boa quando não relacionada ao machismo, que não vem ao caso. Enfim, a frase de efeito é a seguinte: “Não sei por que estou batendo, mas ela sabe muito bem por que está apanhando”. Estamos falando, portanto, de pessoas, por isso o pronome ela.
Esta introdução se justifica quando o assunto é Valdemar Costa Neto e por que as tilápias do politicamente correto infestam a lagoa que pretendo atravessar a nado.
Segundo matéria do Estadão de hoje (10), suspeita-se que o presidente do PL, partido de Flávio Bolsonaro, foi responsável pelo desvio de recursos de emendas parlamentares que podem somar R$ 119 milhões. O volume corresponde ao bloqueio determinado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino, com base em investigações da Polícia Federal (PF).
Escrevi recentemente que Costa Neto sempre teve um grande interesse em ampliar sua base parlamentar para abocanhar recursos do erário, via emendas parlamentares. Eu não tinha a menor ideia de que estava sendo tão preciso assim. O caso em questão representa, segundo as investigações, 21 emendas desviadas por orientação do velho e malandro presidente do PL.
Essas informações, por mais evidentes que sejam, parecem não afetar em nada o processo eleitoral. Se o fulano anda com Flávio ou com Lula, o eleitorado já está determinado a defender seu corrupto de estimação. Até agora, com as pesquisas cada vez mais confluindo para um empate técnico entre ambos, ou ganha um ou o outro. Simples assim.
A corrupção é que segue a mesma. A diferença entre um candidato e outro é que Lula está mais blindado que Flávio, tanto é que a continuidade das investigações sobre o caso do Careca do INSS, que envolveria Lulinha, filho do presidente, ficará apenas para depois das eleições. Esse é um privilégio do apedeuta. Enquanto Flávio está exposto às ações da Justiça e da PF.
Claro que é pior saber depois, porque esse tempo ileso é fundamental para Lula vender seu peixe de honestidade, mesmo tendo que carregar Jacques Wagner e Rui Costa, ambos do PT, seus amigos de longa data e envolvidos nas falcatruas de Vorcaro.
Enfatizando mais uma vez, tudo o que acontece na política brasileira é previsível, porque o imprevisível não acontece na política brasileira. Por isso é fácil usar a frase que usei no primeiro parágrafo. Mesmo sem saber, acertei, porque isso já é sabido.
A eleição presidencial de 2026 está sendo marcada por dois tipos de hipocrisia: a de direita e a de esquerda, que, em síntese, são a mesma. Esse papo de direita e esquerda é mais para iludir o eleitorado leigo, que é a maioria do eleitorado brasileiro. Há aqueles que acreditam que ser de esquerda é ser mais humanista. Há os que acreditam que o humanismo de esquerda é só para enganar trouxa.
Eu acho as duas coisas e vou além, esquerda e direita no Brasil é uma divergência necessária para cativar eleitores das mais diversas procedências. São iscas universais, usadas aqui e alhures, mas que no fundo não dizem absolutamente nada, além de que há o interesse de grupos distintos para abocanhar o poder e fazer o mesmo que Valdemar Costa Neto está fazendo, com seu direitismo de ocasião; que Wagner e Costa estão fazendo com seu esquerdismo de ocasião; é o mesmo que Lula fez e foi flagrado pela Lava Jato com seu esquerdismo de ocasião; é o mesmo que Flávio Fez com Dark Horse com seu direitismo de ocasião.
Sempre foi assim no Brasil, desde as Caravelas. Enquanto não sairmos dessa dicotomia e partirmos para projetos objetivos que levem ao desenvolvimento do país, estamos fadados a ser vítimas de gente ordinária e até mais.




