Foto: Paulo Pinto - Agência Brasil
Para quem perde, há sempre o gosto amargo da derrota. Nasce desse sentimento a necessidade de encontrar justificativas para o insucesso nas urnas. Uma espécie de caça às bruxas. Mas vale a pena?
De que adianta supor que o antibolsonarismo, aliado à campanha do medo petista, foi eficaz na virada do jogo a favor de Lula?
De que adianta supor que as benesses do governo na boca da urna funcionaram como isca poderosa para atrair o eleitorado dependente do Estado?
O fato é que Lula virou o jogo e se impôs. Sendo assim, terá mais quatro anos para governar o país antes de encerrar sua carreira política como chefe do Executivo.
Penso que a oposição deveria ter um olhar positivo em relação à dinâmica política deste ano eleitoral. Por exemplo, que a vitória de Lula foi a derrota do bolsonarismo. O que, de certa forma, é bom para o país. Sem um polo extremado, o outro se dilui também.
Com isso, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, ganha força e terá uma estrada livre para caminhar até 2030, como o principal e mais forte candidato à presidência da República neste momento.
A esquerda terá que se reinventar para construir um nome capaz de substituir Lula e que tenha peso eleitoral, algo impossível de vislumbrar nas atuais circunstâncias.
Lula nunca deixou outro nome fazer sombra a ele, e isso vai exigir um trabalho redobrado nos próximos anos. Será isso possível?
Os conservadores, por sua vez, fizeram um belo jogo no primeiro turno, liderando o Senado com nomes dos principais estados do Sudeste, Sul e Centro-Oeste.
Esses parlamentares terão que mostrar a que vieram, fazendo um contraponto às decisões descontroladas do governo federal.
Tentar conter a corrupção nos três poderes será um exercício hercúleo e fundamental para o Congresso Nacional. Um exercício de gente grande. Será que eles têm consciência dessa missão?
A parte azul do país também elegeu seus governadores, sem deixar espaço para a esquerda crescer. Nesse sentido, criam-se as condições para pressionar o governo Lula e conter excessos que possam ampliar o descontrole da gestão pública.
Política não é um jogo para amadores. Mas vejo equilíbrio e perspectiva de futuro no pós-Lula.





