Primeira hora
Primeiro Donald Trump blefou. Depois, arregou
Trump blefou. Disse que ia dizimar o Irã na terça-feira (8), fazendo desaparecer uma civilização, caso não fosse reaberto o estreito de Ormuz. Logo na manhã seguinte, ficamos sabendo que a civilização em questão continuará lá mais um pouco, esperando a próxima ameaça. Os iranianos agradecem.
Afinal, qual civilização mesmo Trump ia destruir? Durante o dia, o presidente dos EUA dizia que o povo iraniano era maravilhoso. Durante a noite, a mesma civilização, composta por aquele povo maravilhoso, desapareceria.
Provavelmente, Trump estava falando dos iranianos que formariam cordão de isolamento em pontos estratégicos do país, em locais que ele pretendia destruir, caso não houvesse acordo.
Mas Trump arregou. Disse que houve um acordo de última hora, mediado pelo Paquistão, em que o estreito de Ormuz seria reaberto, sob a coordenação do Irã. Isso mesmo, o Irã conseguiu se impor e vai dar as ordens sobre o canal.
Para o Irã foi muito fácil. Claro que Trump exagerou em suas falas e fez uma ameaça que ele não seria capaz de cumprir, sob o risco de colocar os EUA contra o mundo.
Por isso, tem muita gente supondo que Trump esteja avariado, louco, o que o leva a dizer coisas estranhas e sem nexo, como esta, de acabar com uma civilização.
Trump se coloca na condição de um Deus, que tudo pode. Mas um Deus teria uma linguagem mais metafórica. Se ele dissesse, por exemplo, que ia fazer chover no Irã durante sete dias e sete noites, inundando aquele país de água, certamente ninguém duvidaria.
Mais uma vez, o dilúvio foi contido.





