Primeira hora
Mas a encrenca é gigante, tão grande, com tanta gente envolvida do alto escalão, que tem tudo para resultar em um pacto
O banco Master foi mais uma mágica para o mundo político, daquelas que operam milagres na conta corrente dos envolvidos. A história registra outros casos semelhantes, mas vamos nos ater ao presente.
Há um ditado popular que diz: “Quem nunca come mel, quando come, se lambuza”. No entanto, em se tratando dos envolvidos no esquema de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, o mais bobo em Brasília tira cutícula com luva de boxe.
Um amigo explicou de forma convincente o fato de pessoas tão experientes e velhacas acharem que jamais seriam pegas na falcatrua:
“Você vê o dinheiro na conta e se surpreende. Fica preocupado, mas dá uma de que não tem nada a ver com aquilo. Embolsa a grana e fica quieto. No mês seguinte, vem a mesma bolada e a preocupação aumenta. O sujeito pensa. ‘Vindo a terceira bolada, arrumo minhas contas e saio desta’. No entanto, chega a quarta bolada e ele sabe que tem muito mais gente poderosa envolvida no mesmo esquema e que aquilo, no final das contas, não vai dar em nada. Sendo assim, aos poucos, vai perdendo o senso da realidade e de responsabilidade. Segue correndo perigo, mas a grana continua abastecendo seu caixa como se estivesse tudo dentro da normalidade. É o velho senso de impunidade”.
É fato que todos sabiam que era uma tramoia que mais cedo ou mais tarde ia dar errado e viria a público. Porque era dinheiro fácil gerado a partir de uma espécie de pirâmide, com recursos privados e investimentos do próprio Estado, de pessoas e instituições que buscavam rentabilidades vantajosas, muito acima da média do mercado, corrupção e mais corrupção.
Os próprios bancos tradicionais viam que alguma coisa muito grave estava acontecendo. O Banco Central sabia das movimentações atípicas, porque há mecanismos no sistema para informá-lo. Tudo se segurou até o limite.
Vorcaro, por sua vez, se via protegido, porque em seu portfólio de corrupção para assegurar seus investimentos, havia muitos clientes pesados, como vem sendo noticiado. São deputados, senadores, pessoas muito próximas do presidente da República e até ministros do Supremo Tribunal Federal.
Os nomes são ainda apenas de suspeitos, mas o contrato monstro do escritório da esposa de Alexandre de Moraes, Viviane Barci, com o Branco Master, de R$ 129 milhões, é um bom exemplo de que os indícios são fortes. Há também as viagens pagas para que Lulinha, filho do presidente, pudesse assistir a aurora Boreal na Finlândia, com recursos pagos por Roberta Luchsinger, advindos do Careca do INSS. Só para citar dois exemplos mais divulgados, que desenham a estratégia de Daniel Vorcaro.
São detalhes que vieram a público. Mas a encrenca é gigante, tão grande, com tanta gente envolvida do alto escalão da República, que tem tudo para resultar em um pacto, daqueles em que todos são anistiados: “Paremos com isso. Prendam os culpados de sempre. E sigamos adiante. O STF endossaria isso facilmente, sem interesse próprio, claro”. É o Brasil varonil, terra de lei e mel... para a corte.



