Primeira Hora: A moral no IML
Há muito tempo, o Brasil deixou de falar em autoridade moral para se ater ao pragmatismo de um potencial ganhador
Ronaldo Caiado (PSD) aproveitou um evento do setor supermercadista em São Paulo na terça-feira, 19, para falar sobre “autoridade moral”.
O pré-candidato à presidência questiona se os dois nomes em destaque na disputa, Lula e Flávio Bolsonaro, têm autoridade moral para se sentar na cadeira.
Há muito tempo, o Brasil deixou de falar em autoridade moral para se ater ao pragmatismo de um potencial ganhador.
Assim foi com Bolsonaro. Assim foi com Lula após ele sair da cadeia. Assim está sendo agora, com dois nomes pouco transparentes em um ambiente contaminado por Daniel Vorcaro e seu Banco Master.
Como se a palavra moral não dissesse mais nada. Não inspirasse movimento algum em defesa de valores relevantes para a sociedade.
Nesse sentido, ao mesmo tempo em que Caiado diz algo de extrema importância para a opinião pública, o candidato do PSD pode estar somente falando no vazio.
Autoridade moral parece não significar mais nada, além de uma fantasia na cabeça de crianças ou na memória dos idosos.
“Você se lembra do tempo em que os candidatos a presidente da República precisavam ter pelo menos autoridade moral para disputar uma eleição?”, recordaria um senhor no banco da praça.
Hoje, há a certeza de que os candidatos mais competitivos, para alcançar esse status (de candidato), só podem ter perdido a autoridade moral para ganhar o direito à representação. Uma coisa exclui a outra.
De onde vem um candidato forte? Da escolha de um partido forte. O partido forte é aquele com maior bancada no congresso, com maior número de prefeitos. Com maior fundo partidário. Que compõem aliança com outros partidos fortes.
O fator autoridade moral não passa sequer pelo imaginário dos caciques que comandam essas estruturas.
Se Caiado conseguir extrair alguma substância com esse tipo de discurso, pode ser o sinal de que ainda há vida inteligente na política nacional. No fundo, no fundo, mesmo que somente em substância e não em prática.
Prática seria ele elevar sua capacidade de voto por isso. Mas a tendência do momento é o voto ideológico, direita/esquerda, sem qualquer relação com valores morais. A moral da história seria que a moral, propriamente dita, está no IML.





