Primeira hora: Acordão
Será que o país estaria disposto a se limpar da sujeira que o assola?
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, tem muito a dizer em sua delação premiada. Mas só vale o prêmio se ele disser coisas novas, que não estejam nos celulares apreendidos durante a ação da Polícia Federal para levá-lo à prisão.
Se ele tentar uma delação que só revele bagrinhos, as chances de sua proposta ser aprovada pelo STF são bem baixas. Pelo menos é isso o que se fala e que está relacionado ao mínimo de coerência em um processo dessa envergadura.
No entanto, há quem veja essa proposta de delação de Vorcaro como sendo um enredo escrito por especialistas do ramo. Isso significa o oposto do que se espera. No lugar de colocar em evidência as estrelas do STF, por exemplo, ele só denunciaria bagrinho e teria o aval da PGR e do STF, claro.
Isso significaria que o próprio Judiciário estaria interessado no silêncio de Vorcaro, ou numa delação que toque apenas nas aparências de um esquema que envolveu muita gente graúda, dos três poderes.
Vamos supor que, de fato, Vorcaro tenha coragem de apresentar ao STF potenciais crimes envolvendo membros do próprio STF. O que aconteceria? Ou sejamos mais radicais: potenciais crimes da própria PF? Como saber?
Os senadores e deputados que porventura figurem na lista de Vorcaro teriam coragem de avançar sobre o STF com proposta de CPI ou impeachment de ministros? E se o filho do presidente da república estiver no rolo? Senadores e deputados, por que não?
Com isso, vislumbro a possibilidade de uma guerra entre poderes antes das eleições. O Brasil pegaria fogo ou tudo ocorreria dentro de um processo silencioso controlado por Gilmar Mendes?
O fato é que Vorcaro vai apresentar sua proposta de delação. Conforme o que vier, saberemos a dimensão de um possível acordão ou de uma explosão em um país que busca se limpar da sujeira que o assola.




