Primeira Hora: Moral e objetivos imediatos
O governo Lula, por exemplo, acaba de lançar o Programa Move Brasil Táxi e Aplicativos, para facilitar a compra de automóveis por taxistas e motoristas de aplicativo
Não existe uma régua para medir comportamento moral. Mas não é preciso de régua para saber quando um governo está bem longe de ter uma postura moralmente correta.
Normalmente, a oscilação moral se dá em governos que não seguem qualquer régua para medir sua própria conduta, além do interesse imediato.
O governo Lula, por exemplo, acaba de lançar o Programa Move Brasil Táxi e Aplicativos, para facilitar a compra de automóveis por taxistas e motoristas de aplicativo. Qual é o interesse do governo? O voto desse público.
Ontem mesmo Lula era o inimigo número um dos aplicativos que, segundo o presidente, criavam uma categoria submetida a algo parecida com o trabalho escravo.
Luiz Marinho, ministro do Trabalho, falou um monte de bobagem Brasil afora criticando o sistema de trabalho por aplicativo. Como o governo percebeu que suas teses a respeito não empolgavam nenhum pouco a categoria, mudou de estratégia.
Agora quer comprar votos da moçada que faz Uber, 99 e IFood com o financiamento de carros mais baratos, que começarão a ser pagos somente após as eleições. (Bidu!) É o velho Lula em ação, usando o governo para seus objetivos e com a mesma estratégia de sempre.
Precisa ter régua para medir a conduta moral do presidente?
O esquema é o seguinte? É possível comprar por este programa veículos de até R$ 150 mil, com juros subsidiados, prazo de até seis anos e carência de seis meses. As taxas de juros serão de 12,6% para homens e de 11,5% para mulheres. Entre 1,2 milhão e 1,4 milhão de motoristas podem ser alcançados. Estas informações estão no Estadão.
Há dúvidas sobre o que vai acontecer? Endividamento pessoal, claro. E qual é a consequência disso? Aumento da taxa de juro. Quem paga as contas quando aumentam as taxas de juro? Todos os brasileiros, claro. O mesmo povo Brasileiro que Lula diz defender.
Para os bancos ficarem do lado do governo, o programa é lastreado por um fundo garantidor e, em caso de calote, o governo paga a dívida ao banco. Quer coisa melhor?
A conclusão do Estadão em editorial de hoje (23) é cristalina: “Ora, o motivo pelo qual os juros estão elevados há tanto tempo, encarecendo o financiamento de veículos, não é a guerra no Oriente Médio, que começou no fim de fevereiro, mas as despesas do governo, que gasta mais do que arrecada e precisa financiar sua dívida. Essa conta não tardará a chegar”.
O Banco Central deve estar feliz com o chefe de governo, que só faz aumentar a taxa de Selic e ferrar a vida dos brasileiros com suas campanhas eleitorais, usando a máquina pública e interferindo na economia. Mas pode ser que Lula leve alguns votinhos a mais, que é seu objetivo imediato.





