Primeira hora: Os extremos se desnudam
Vender solução só no gogó, atacando o adversário, sem proporcionar alternativas de enfrentamento da crise institucional, política e econômica que o país vive, é uma estratégia que nasce fracassada
O Brasil precisa de um presidente que tenha vergonha na cara, no mínimo. As ideologias, conforme pintadas hoje, não passam de falta de educação de grupos que pretendem apenas controlar o poder.
Como se observa, entre direita e esquerda, há pouca diferença. Predominam a falta de senso de realidade e objetividade sobre os fatos, além de muita imoralidade, que enxovalham os extremos.
Vender solução só no gogó, atacando o adversário, sem proporcionar alternativas de enfrentamento da crise institucional, política e econômica que o país vive, é uma estratégia que nasce fracassada.
Não é preciso fazer mágica para governar o Brasil. Basta apenas fazer o que é preciso. Que tal voltarmos ao feijão com arroz? Ajustar as contas do Estado, proporcionar liberdade às iniciativas privadas, investir em educação, saúde e segurança. O resto vem com o tempo.
O fundamental é seguir os 10 Mandamentos, com ênfase ao não roubar. Infelizmente, rouba-se neste país descaradamente, como se não houvesse o amanhã.
Se estamos distantes de Montesquieu, poderíamos ao menos tentar entender que a premissa básica do pensador é garantir a autonomia de cada poder constituído e mantê-los harmônicos.
A harmonia atual é sinônimo de submissão, por interesses escusos, relacionados, normalmente, a pactos por crimes comuns envolvendo os três poderes.
O foro privilegiado, por exemplo, é um troço que precisa ser urgentemente eliminado. Esse privilégio de deputados federais e senadores é uma explicação para o compadrio que leva o Legislativo a se ajoelhar ao Judiciário e vice-versa.
O crime subverte a relação entre os poderes e a força do Judiciário como ente soberano, acima da lei, sela a delinquência de uma ordem que se protege da sociedade.
Enquanto não houver um ponto de partida moral para as relações entre os poderes e um ponto de partida ético de valorização do indivíduo, o jogo será sempre esquizofrênico.
Pelo que se vê no Brasil, parece que nada mais tem jeito. Mas limitando as ações políticas aos seus aspectos elementares, muita coisa se salvaria e uma nova realidade emergiria do esforço de cada um.




