Primeira hora: Persistir é uma forma de viver
Não é preciso refletir muito para se constatar que a estrutura política brasileira é viciada e não entrega candidatos qualificados
Imagem: ChatGPT
O eleitor brasileiro acompanha estarrecido o noticiário e aguarda a formação de uma imagem sólida no horizonte para tomar sua decisão. O pragmatismo sempre foi a palavra final e repercute nas urnas em forma de votos. Aceitar o possível é um exercício de resistência que se aprende a incorporar intuitivamente, até que um dia o país se desvencilhe das barreiras que o congelam na sobrevivência e no passado.
Não é preciso refletir muito para se constatar que a estrutura política brasileira é viciada e não entrega candidatos qualificados, mas sim, candidatos escolhidos pelos caciques, quando não são os próprios caciques os nomes validados por eles mesmos. Não há democracia interna nas siglas, mesmo que elas insistam em afirmar algo do gênero.
Há sondagem de oportunidade para que a escolha pareça natural. No caso de Flávio Bolsonaro, o pai (ex-presidente Jair Bolsonaro) foi quem fechou a questão. “Vai ser o meu filho”. Não tem para mais ninguém. Como pensar em democracia em um cenário assim? Torna-se até risível observar que o movimento bolsonarista aceitou o processo, vulgo dedaço, como natural e aderiu ao nome instantaneamente. O caciquismo só tem força porque há uma cultura de submissão a ele.
No caso de Lula, deu-se a mesma coisa. Desde 1989, ele é o único nome da legenda, sem nenhum outro que se vislumbre, e somente foi substituído em ocasiões específicas. Seja por não poder concorrer, após dois mandatos consecutivos (Dilma), ou quando estava preso (Haddad). Só que o caciquismo do PT está com sua vida útil no limite. Lula passa dos 80 e esta será sua última oportunidade de comandar o país.
Após esta fase, até o caciquismo terá que se recriar. Se o PT não reformular sua conduta, se tornará um amontoado de bandeiras sem peso unificador. O Bolsonarismo, por sua vez, é ainda muito jovem, mas bem caduco, apesar da idade. Se Flávio não for eleito; se Bolsonaro não voltar para a política; se o obscurantismo dos irmãos 01 e 02, no que diz respeito à moral e à ética, persistir como modus operandi, o bolsonarismo tende a se restringir a uma bolha.
Resta ao eleitor livre se desvencilhar desse lamaçal, quero dizer, dessa polarização, e ter a oportunidade de escolher um candidato também capaz de redesenhar a política nacional com novos princípios, de unidade e projetos adequados. Esse Brasil, esperado desde Ruy Barbosa, tende a chegar. A responsabilidade é de cada um. Persistir é uma forma de viver.





