Sem querer ser bíblico
Primeira Hora: o STF tornou-se o inimigo comum
Há uma guerra escancarada no país. O STF tornou-se o inimigo comum. Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes são vistos como problemas nacionais a serem combatidos, uma vez que estariam envolvidos em esquemas de crimes organizados. As suspeitas são muitas.
Esta guerra se revela também no âmbito do próprio STF. Carmen Lúcia e Edson Fachin, presidente da corte, já disseram publicamente que há divergências internas graves, com o objetivo sempre de acalmar a situação. Mas não seriam apenas divergências de ideias, mas de condutas.
O fato é que a situação não se acalma. Muito pelo contrário, se agrava. Porque os três nomes do STF aparecem envolvidos de alguma forma no esquema corrupto do Banco Master, segundo a própria PF. Há sempre um jatinho particular, real ou imaginário, voando por aí com algum dos três ministros suspeitos.
O senador Alessandro Vieira colocou o dedo na ferida ao citar Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes no relatório final da CPI do Crime Organizado, pedindo a abertura de inquérito contra eles. Se o senador pegou pesado, não se sabe. Mas é fato que ampliou o destempero nos homens da corte.
O pré-candidato a presidente da República, Romeu Zema, brincar de boneco de ventríloquo com os mesmos homens, fez a chapa ferver. Gilmar Mendes está que não pode por causa da criação de um enredo fictício em que os três estariam envolvidos nos esquemas de Vorcaro. Ao estilo shakespeariano para criança, Zema bateu pesado no beiçola.
O STF tenta sair das cordas, mas seus representantes agem como Macunaímas diante da boneca de cera. Quanto mais se movimentam, mais ficam presos. O desdobramento deste embate vai se projetar nas eleições nacionais. Opositores do governo viram o STF como catalizador de votos para eles.
O Brasil espera apenas que se dissolvam os núcleos de tensão e os criminosos identificados com tal encontrem o destino que merecem. Não dá para ficar com esta dúvida eterna maculando a imagem daqueles que deveriam zelar pela verdade. É fato que hoje, os homens do Supremo parecem zelar pela mentira, porque a verdade os condenaria, sem querer ser bíblico.





