
Milhões de discos. Shows lotados. “Macacas de auditório” ou “colegas de trabalho” gritando alucinadas. Presença garantida nas paredes, penteadeiras ou portas de guarda-roupas das adolescentes, em posters de duas páginas das revistas Contigo! e Amiga. Ou nas paredes das oficinas mecânicas, funileiros e borracharias deste Brasil, recortados da revista Playboy.
Eles estavam firmes e fortes, toda semana, em programas televisivos como Discoteca / Buzina / Cassino do Chacrinha (Tupi, Excelsior, Record, Bandeirantes e Globo), Globo de Ouro e Domingão do Faustão (Globo)…

…Qual é a Música, Show de Calouros, Viva a Noite (os três na TVS/SBT), Programa Raul Gil (Tupi, Record, depois SBT), Programa Barros de Alencar (Record)…
… e o mais xumbrega (para usar um termo da época), porque cada programa era feito com orçamento menor que um baile de gafieira, o Clube do Bolinha (Bandeirantes).
Outros programas, como Som Livre Exportação e Globo de Ouro não tinham figuras carismáticas na apresentação, mas os sucessos das paradas garantima a audiência. E não nos esqueçamos, é claro, do Fantástico, que tinha os “musicais” como atração muito forte, precursores dos videoclipes no Brasil. Muitos deles apresentaram artistas dos quais hoje ninguém, ou quase ninguém, se lembra.
Hoje, quem se lembra desses artistas e suas músicas que embalaram paqueras, namoros ou outros relacionamentos, digamos, mais “calientes”, em bailinhos, brincadeiras dançantes e festinhas? Ou que embalaram a infância de milhões?
Nem mesmo os adolescentes, que hoje já são avôs e avós, que trocaram aqueles ídolos da música por outros, mais reconhecidos. Que aposentaram, há décadas, seus radinhos, vitrolas, aparelhos 3 em 1 e toca-fitas. Sem falar nos discos compactos, LP’s e fitas K-7.
Quem? Quem?
Esta série de artigos (que se estenderá ao longo de vários números desta Revista de Domingo, não perca - aproveite e assine gratuitamente o Viletim para recebê-los no seu e-mail) não é para se lembrar dos artistas “medalhões” da MPB, como Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Milton Nascimento, Rita Lee, nem também só de Raul Seixas, Beth Carvalho, Alcione, Belchior, Fagner, que também frequentavam os programas que lembrei acima.
E sim, para comentar sobre artistas dos quais, se você tem 45 anos ou mais, deve fazer muito tempo que você não se recorda:
Perla • Gilliard • Kátia • Nahim • Ovelha • Byafra • Marquinhos Moura • Sílvio Brito • Dudu França • Gilson • Joanna • Roberto Leal • Frankito Lopes • Diana • Evaldo Braga • Abílio Manoel • Paulo Sérgio • Geraldo Vandré • Wilson Simonal • Taiguara • Adriana • Marcos Sabino • Rosana • Carlos Alexandre • Renato Terra • Márcio Greyck • Bartô Galeno • Fernando Mendes… e muitos outros.
E os artistas e grupos musicais infantis (ou seriam “para crianças pequenas e grandes”)?
Trem da Alegria • Grupo Chocolate • Turma Do-Ré-Mi • Gabriela • Os Abelhudos • Os Bozóquitos • Jairzinho e a Patrulha do Barulho • A Patotinha • Turma da Bagunça • Heróis do Futuro • Patrícia Marx • Juninho Bill • Luciano Nassyn • Luluzinha • Nariman • Fabio Mello • Carlos Roberto
E as duplas, trios e grupos musicais, para adultos e adolescentes:
Tremendo • Yahoo • Absyntho • Menudo • Harmony Cats • Brazilian Genghis Khan • Banana Split • Dominó • Polegar • Os Abelhudos • Trio Los Angeles • Dom & Ravel • Jane & Herondy

Além de bandas e artistas do Pop Rock Nacional dos anos 70 e 80:
O Terço • Momento 4 • Som Imaginário • Casa das Máquinas • Zé Rodrix • Moto Perpétuo • Jessé • Morris Albert • David McLean • Som Nosso de Cada Dia • Vimana • Terreno Baldio • Joelho de Porco • A Bolha • Saracura • Made in Brazil • Tavito • Bacamarte • Sunday • Recordando o Vale das Maçãs • Light Reflections • A Barca do Sol • Sáecula Sáeculorum • Veludo • Pholhas • Violetas de Outono • Absyntho • Dr. Silvana & Cia • Metrô • Tokyo • e muitos outros…
Eu sei que as décadas de 1970 possuem tons diferentes. Mas hoje, pelo menos na minha memória, na televisão da década de 1980 (e na rádio, ainda era mais essa impressão) ainda se mantinha um Brasil que, na cultura popular, ainda era muito parecido com as décadas de 1960 e 70. Com diferenças técnicas? Algumas. Com a mesma emoção? Com emoções intensas, mas diferentes, e às vezes, contraditórias entre si: uma confusão própria da cultura pop.
Houve também os artistas que cantavam em inglês, e que “enganavam” o público: até hoje, há pessoas que pensam que o megahit “Feelings”, de Morris Albert é cantado por um cantor americano. Albert é brasileiro e seu nome verdadeiro é Maurício Alberto Kaisermann. Outros, como Mark Davis, Tony Stevens e Don Elliot fizeram sucesso com canções na língua dos Beatles, mas seguiram carreira depois com seus nomes brasileiros. Quem são? Aguarde o nosso artigo!
Vamos relembrar os músicos e grupos musicais que foram varridos para baixo do tapete da memória nacional, por vários motivos: retirada da carreira por opção própria, esgotamento criativo da fórmula que os consagrou ou fim da “moda” a que estiveram vinculados, ou o pior de todos: perseguição política pelo regime militar (como aconteceu com Taiguara) ou cancelamento e apagamento (como aconteceu com a dupla Dom & Ravel, e Geraldo Vandré)
Falaremos sobre estes cantores e sua época de ouro da MPBM (Música Popular Brasileira MESMO), aquela situada entre o fim da Jovem Guarda (Roberto e Erasmo Carlos, Wanderléia, Ronnie Von) e o surgimento da Lambada e da Axé Music (Cid Guerreiro, Daniela Mercury, Luiz Caldas, Banda Eva), a partir deste fim de semana (17 e 18/10) e continuaremos nos próximos números da Revista de Domingo.








