Fundação Seade aponta queda histórica de fecundidade em São Paulo neste século
O estudo mostra que o índice atingiu seu menor nível desde 2000, mas oscilou no período analisado

A taxa de fecundidade é um dos principais determinantes da dinâmica demográfica, atuando junto com a mortalidade e a migração para orientar o planejamento de políticas públicas. O índice é definido pelo número médio de filhos que uma mulher tem ao longo de seu período reprodutivo, ou seja, dos 15 aos 49 anos de idade. Segundo um estudo recente da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), a cidade de São Paulo registrou o menor nível histórico de fecundidade em 2024.
O levantamento analisou a evolução da fecundidade na capital paulista desde o começo do século e apontou uma expressiva queda de 34,5%. As taxas médias, que eram de 2,1 filhos por mulher no ano 2000, caíram para apenas 1,4 em 2024. O estudo baseou seus cálculos nos registros de nascidos vivos realizados nos cartórios dos 96 distritos do município.
Envelhecimento do padrão reprodutivo
A análise do Seade observou que a redução do número de filhos ao longo dessas pouco mais de duas décadas não foi um processo contínuo, registrando oscilações positivas e negativas durante o período.
Junto ao processo de diminuição da fecundidade total na cidade, os dados também sinalizam um envelhecimento do padrão reprodutivo das mulheres. A pesquisa constatou que a idade média em que as paulistanas têm filhos sofreu um aumento, passando de 27 para 29 anos.
Distribuição pelos distritos
A distribuição espacial da fertilidade pela cidade reflete diretamente as diferentes características sociodemográficas de seus 96 distritos. No início da série histórica, em 2000, quase metade dessas regiões registrava taxas superiores a 2,1 filhos por mulher, o que corresponde ao nível de reposição populacional. Os maiores destaques na época eram o Brás, na região central, com 3,2 filhos por mulher, e Parelheiros, no extremo sul, com 3 filhos por mulher. Em contrapartida, distritos mais centrais como Vila Mariana, Bela Vista, Perdizes e Pinheiros já apresentavam as taxas mais baixas, inferiores a 1,5 filho.
Nas décadas seguintes, o cenário mudou e a fecundidade diminuiu em todas as áreas da capital. Em 2024, apenas três distritos vizinhos na região central mantinham taxas acima de 2 filhos por mulher: Pari, Belém e Brás. Na maior parte do município as taxas se tornaram inferiores a 1,6 filho e, em 20 distritos, esse número já caiu para menos de 1,2 filho por mulher.
Matéria: Breno Marino | Jornal da USP.



