Elaborei duas imagens, para atender públicos distintos. Escolha aquela que mais lhe agrada para ilustrar este artigo
Lula virou anjo. Quem esperava outra coisa? Segundo ele, Alexandre de Moraes, André Mendonça e até Edson Fachin, se for o caso, devem ser investigados.
Ele se referia, em entrevista de TV, à suspeita generalizada no STF de corrupção, o que estaria colocando ministro contra ministro em uma guerra intestina.
Esta não é bem a verdade, mas criar um cenário de caos na Corte facilita muito a fuga de espertinhos da encrenca, como o apedeuta.
A estratégia de Lula é transformar todos em suspeitos, como se cada ministro tivesse um interesse pessoal em jogo, o que não seria nada republicano.
Quem acompanha de perto o cenário tem deixado claro que não é bem assim. Mas, para Lula, seria bom que fosse. O lembra, em certa medida, a cena final do filme “Cães de Aluguel (Reservoir Dogs, 1992 - imagem IA abaixo), de Quentin Tarantino, em que todos morrem no final.
Cena final do filme “Cães de Aluguel (Reservoir Dogs, 1992, elaborada por IA)
E Lula foge de fininho para os braços do seu eleitorado.
O imbróglio no STF é um presente para Lula na reta final da campanha, sem dúvida. Paralelo a isso, há também as investigações sobre os recursos para a produção do filme Dark Horse, que leva de volta à crise sobre a imagem de Flávio Bolsonaro.
O ministro Flávio Dino agiu sob medida para dar uma força ao seu patrão, Lula. Claro que não dá para dizer que, com essa lambança toda, Lula vença.
Ao menos dá para dizer que ele foi ajudado pelo STF e que valeu investir em seu subordinado Flávio Dino, dando a ele uma cadeira vitalícia na Corte. Só isso.
Escrevi no artigo anterior sobre Lula que seria evidente sua postura de colocar Moraes na sombra do esquecimento assim que o ministro se tornasse um problema. “Quem é este pilantra?”, diria Lula, da mesma forma com que ele falou sobre Roberta Luchsinger, aquela amiga patrocinadora do filho do presidente, o Lulinha, quando ela ganhou as manchetes dos jornais como se a mulher com acesso livre ao gabinete do apedeuta fosse uma estranha. E não é.
Lula também já disse que seu filho deveria ser investigado. A diferença é que o presidente dá seus pulos e consegue mexer com certa facilidade na estrutura interna da PF, com ajuda do Supremo, para que ninguém mexa com seu menino, claro.
O homem não brinca em serviço. E o eleitorado acha tudo isso muito natural. A corrupção tornou-se commodity para os nossos representantes máximos. É matéria-prima básica para o desenvolvimento da política nacional.
Tanto é que o candidato Renan Santos (Missão) disse ontem que Flávio Bolsonaro será impulsionado na campanha eleitoral com a mira da PF voltada para sua cabeça. Se até os principais agentes da PF estão envolvidos em esquemas, com que moral a instituição investiga?
Não se deve generalizar a PF, da mesma forma como não se deve generalizar o STF. Mas o eleitorado conclui pela média. Na média, vence apenas Quentin Tarantino. Lula e Flávio, por enquanto, empatam. O Brasil já foi decodificado. Quem não o entende é porque o confunde com coisa séria.





