Quem tem a mão peluda?
Quando crianças, tínhamos um entendimento bem mais carinhoso para essa expressão, apesar de parecer agressiva
Está todo mundo assustado em Brasília. Daniel Vorcaro, o dono do banco Master, é mais do que o nome de um homem que distribuía, em suas festas, dinheiro aos poderosos de todos os naipes para alcançar os seus objetivos. Parece também o nome de uma bebida que desorienta aqueles que consomem o poderoso veneno.
Além de nervosas, as vítimas do álcool ingerido ficam com as mãos amarelas e peludas.
Quando crianças, tínhamos um entendimento bem mais carinhoso para essa expressão, apesar de parecer agressiva. Como a festa oferecida pelo empresário em Brasília foi de arromba, não escapa nenhuma liderança dos três poderes que lá estive que não esteja agora tentando esconder as mãos para não ser identificada. De quando em quando elas observam se o pelo não surge pelos vãos dos dedos.
Com isso, não adianta mais esconder a grana. A percepção agora é visual. Basta ver quem procura se esquivar do assunto pelo canto da sala. Lula tentou, mas não tem conseguido muito sucesso. As manchetes estão sempre atrás de alguém que consumiu o veneno. Quem está com a mão peluda?
Lula parecia distante do caso Master, mas acho que o pelo começou a aparecer entre seus dedos depois da descoberta de que Ricardo Lewandowski e familiares também participaram da festa. Parece, então, que o fenômeno é, também, contagioso.
Além de ex-ministro do STF, o homem da mão peluda se tornou ministro no atual governo. Fala-se em um contratinho de milhões (5,6) entre seu escritório de advocacia e o banco Master.
A imprensa tem deixado de citar Lulinha nesses imbróglios, sua relação com o INSS e o banco Master. Mas logo volta, porque o moço deve estar indo à manicure direto para ver se dá conta de tanto efeito colateral da bebida. Afinal, manicure tira pelo?
No Brasil, os criminosos sempre deixam pegada. Ou ficam com a mão peluda e todo mundo percebe. Se alguém inventar de fazer uma nova festa no planalto e estabelecer como critério que não entrará quem tiver a mão peluda, não haverá público. Ou então, será como a piada do sapo.
Ia ter uma festa dos bichos na floresta, e o sapo ficou feliz com a notícia: “Obaaaaá”. “Só não entra quem tiver boca grande”, disse outro bicho. O sapo, meio que inconformado, tentou se conter: “Justo!”.
Quem não entendeu a piada é só imaginar a boca aberta do “oba” e a boca fechada do “justo”. É chato explicar piada. Mas às vezes é preciso explicar. Porque, senão, enche de gente de mão peluda com disfarce, principalmente nas festas de Brasília, porque eles não se aprumam.




