A campanha eleitoral deste ano parece definida. Pela dificuldade de prevermos o que possa acontecer ainda nos palanques até outubro, o que se nos apresenta no momento é uma imagem congelada, que demonstra um repeteco, com a reeleição de Lula, um presidente que faz campanha com a máquina pública e onde quer que esteja desde que chegou ao poder.
Flávio Bolsonaro se demonstra a cada dia mais fraco e com capacidade de argumentar sobre suas artimanhas e defender suas posições apenas junto ao seu núcleo fechado e não mais com os eleitores independentes, que ainda não votam nem para Lula, nem para ele.
A contaminação do seu nome pela relação com Daniel Vorcaro pegou fundo. Assustou os eleitores que chegaram a acreditar que Flávio seria um Jair Bolsonaro de garfo e faca; que estaria mais distante da possibilidade de falcatruas parecidas com a de Viviane Barci, esposa de Alexandre de Moraes.
Pelo contrário, ele pediu bem mais do que R$ 129 milhões a Vorcaro para o filme “Dark Horse”, sobre seu pai. Sua cifra é de R$ 134 milhões. “Mas seria apenas para fazer um filme, além e que, ele mal sabia do inferno que estava vivendo Vorcaro”, argumentaria um bolsonarista dogmático e ingênuo.
O Brasil inteiro sabia, só Alice acompanhava o mundo olhando pela janela? O fato é que o dinheiro em questão veio do crime e foi ganho indevidamente, seja roubando de velhinhos do INSS, seja fazendo acordo para gerir recursos públicos em fundos falidos do Master.
Zema e Caiado parecem também incapazes de sair de suas respectivas bolhas. Eles poderiam começar a pensar em estratégias distintas, que os tirassem dessa condição de pessoas figurativas, de movimentos sem força, com forte potencial de morrer na praia.
Alguém poderia facilmente argumentar que a campanha eleitoral sequer começou e que há ainda muita água para passar por debaixo da ponte. Mas a campanha eleitoral não opera milagres. Ela apenas potencializa o que já está dado.
Se existe alguma esperança, por incrível que pareça, continua vindo da Polícia Federal e de suas investigações. Notícias novas sobre potenciais envolvidos em crimes podem sim mudar o jogo. Mas voltamos ao país movido pelo mundo-crime que se tornou o Brasil.
Não se vislumbra uma campanha em que o melhor vencerá, mas sim, uma disputa em que as narrativas mais eficazes sejam capaz de manter a lideranças dos nomes mais fortes. Evidentemente que os nomes mais fortes continuam sendo os de Lula e de Flávio Bolsonaro.
Evidente que este quadro apresentado pode sofrer abalos e modificações de toda a natureza, como está acima, no entanto, quem conhece um pouco do jogo político nacional não nutre muitas esperanças sobre um amanhã diferente do retrato que congelamos hoje.




