“No AVC isquêmico, 2 milhões de neurônios morrem por minuto. Quanto antes o trombolítico, maiores as chances de reverter os sintomas”, revela Ricardo Gregolin Neto
A Santa Casa de Piracicaba completa, em 2026, dez anos de credenciamento pelo Ministério da Saúde (MS) como Centro de Referência em Atendimento de Urgência Tipo I a pacientes com Acidente Vascular Cerebral (AVC). Entre 2016 e 2026, a instituição confirmou 2.940 casos da doença, somando os 1.908 registrados entre 2016 e junho de 2023 aos 1.032 atendimentos contabilizados entre julho de 2023 e junho de 2026. No mesmo período, o uso de trombolítico — medicação empregada para desfazer o coágulo responsável pela obstrução do fluxo sanguíneo no cérebro — somou 471 casos, sendo 293 até 2023 e mais 178 nos três ciclos seguintes. Somente entre 2016 e 2023, a Santa Casa atendeu mais de 8 mil casos suspeitos de AVC, dos quais 1.908 foram confirmados; desse total, 1.615 casos, ou 85%, eram AVC isquêmico ou hemorrágico agudo, e 293, ou 15%, referiam-se a AVC isquêmico agudo com uso de trombolítico. Nesse intervalo, a média foi de 27 atendimentos mensais, sendo quatro deles com uso do medicamento.
Um levantamento recente, referente aos últimos três ciclos anuais, detalha a evolução do serviço. Entre julho de 2023 e junho de 2024, foram 380 atendimentos, com 46 casos de uso de trombolítico e média de 32 atendimentos mensais. No período seguinte, de julho de 2024 a junho de 2025, o total foi de 330 atendimentos, 61 deles com trombolítico, com média de 28 por mês. Já entre julho de 2025 e junho de 2026, a Santa Casa contabilizou 322 atendimentos, sendo 71 com uso do medicamento, e média de 27 por mês. Os números mostram que, embora o total de atendimentos tenha recuado no período, a proporção de casos tratados com trombolítico cresceu: de 12% do total em 2023/2024 para 22% em 2025/2026.
Certificação Gold Status do Programa Angels
Desde 2023, a Unidade de AVC da Santa Casa de Piracicaba mantém a certificação Gold Status do Programa Angels, iniciativa internacional voltada à qualificação do atendimento a pacientes com AVC em hospitais parceiros. O reconhecimento, renovado ao longo dos últimos anos, reforça o papel da instituição como referência da microrregião no atendimento à urgência neurológica.
Porta aberta e fluxo de atendimento
De acordo com o neurologista Ricardo Gregolin Neto (CRM 155591/ RQE 59627), a Santa Casa de Piracicaba funciona como porta aberta de entrada e referência da microrregião: qualquer paciente com sinais sugestivos de AVC é recebido no pronto atendimento, independentemente de convênio. “O paciente é primeiramente avaliado, de forma imediata, por um enfermeiro. Ao identificar sinais de AVC, ele já é encaminhado à sala de trauma para atendimento da equipe médica”, explica o médico.
De acordo com ele, a partir da avaliação médica, exames específicos são solicitados de imediato. A equipe de enfermagem colhe os exames, solicita a tomografia e conduz o paciente ao setor correspondente com agilidade. “Assim que o resultado do exame está pronto, o médico do pronto atendimento e o neurologista de plantão avaliam a necessidade de trombólise. A medicação é aplicada ainda na sala de tomografia ou o mais rapidamente possível dentro do pronto atendimento, porque o tempo é determinante”, afirma Gregolin.
De acordo com ele, com a recente modernização digital do prontuário do paciente - propiciando acesso remoto ao médico plantonista via telemedicina -, o atendimento e acesso ao trombolítico já se inicia antes mesmo da chegada do neurologista ao hospital. “Dados mostram que no acidente vascular cerebral isquêmico, a taxa de morte neuronal é em torno de 2 milhões de neurônios por minuto, o que se faz crucial o início o mais rapidamente possível da terapia com trombolítico, aumentando consideravelmente as chances de sucesso de reversão dos sintomas”, revela Gregolin.
Quando o exame indica AVC hemorrágico, a condução do caso passa a ser de responsabilidade do neurocirurgião. “Tudo isso é feito com agilidade. Temos metas de tempo de atendimento que buscamos seguir”, diz o neurologista. Segundo ela, o atendimento inicial envolve técnico de enfermagem, enfermeiro e médico plantonista.
Após a trombólise, o paciente é encaminhado à internação, à UTI ou às clínicas, conforme o caso, e passa a ser acompanhado por equipe multiprofissional, que inclui psicologia, fonoaudiologia e nutrição — áreas responsáveis pela continuidade do tratamento.
Segundo ele, A Linha de Cuidado do AVC atua de forma integrada com o SAMU e as UPAs para garantir o atendimento rápido e reduzir sequelas. O sucesso do protocolo depende do conceito de que “tempo é cérebro”, organizando o fluxo de assistência pré-hospitalar e hospitalar.
Equipe especializada
O complexo hospitalar conta, atualmente, com equipe de neurologistas e neurocirurgiões dedicada ao atendimento das urgências neurológicas, estrutura construída ao longo da última década e que sustenta, por meio da atuação integrada entre pronto atendimento, diagnóstico por imagem e equipe multiprofissional, a trajetória da Santa Casa de Piracicaba como referência regional no cuidado ao AVC.




