Santa Casa debate aspectos clínicos, éticos e jurídicos relacionados à transfusão sanguínea
Encontro reuniu médicos, residentes, gestores e lideranças para discutir critérios clínicos, autonomia do paciente, consentimento informado e segurança nas decisões relacionadas ao uso de sangue
Observados pelo diretor técnico André Gervatoski, o advogado Cláudio Bini e o infectologista da Clínica Médica, Sidnei Bertholdi Filho durante apresentação dos aspectos clínicos, éticos e jurídicos relacionados à transfusão sanguínea
Na manhã desta terça-feira, 11, o Setor de Clínica Médica da Santa Casa de Piracicaba realizou mais uma atividade direcionada a médicos residentes, profissionais do Corpo Clínico, gestores e lideranças da Instituição, desta vez com foco nos aspectos clínicos, éticos e jurídicos relacionados à transfusão sanguínea.
Coordenado pelo médico Sidnei Bertholdi, o encontro contou com a participação do advogado Cláudio Bini, do diretor técnico da Santa Casa, André Gervatoski, e da administradora hospitalar Vanda Petean.
A abordagem jurídica complementou a discussão clínica ao tratar dos direitos do paciente e das responsabilidades dos profissionais e das instituições de saúde diante da recusa de procedimentos. Entre os pontos abordados estiveram a autonomia do paciente, o consentimento informado e a importância de decisões fundamentadas e devidamente documentadas, especialmente em situações nas quais a transfusão não é aceita por convicções pessoais ou religiosas.
Nesse contexto, Gervatoski destacou que a Santa Casa já mantém estratégias voltadas à otimização do uso do sangue, que contribuem tanto para a segurança dos pacientes em geral quanto para o planejamento da assistência àqueles que apresentam restrições à transfusão.
A atividade, segundo ele, integra um processo contínuo de aprimoramento das práticas assistenciais e de educação das equipes. O tema já foi abordado em outros encontros promovidos pela Instituição, reunindo médicos e profissionais de diferentes áreas para discutir estratégias de redução da exposição às transfusões e qualificação das condutas relacionadas ao uso do sangue.
Segundo André Gervatoski, esse trabalho ocorre em diferentes frentes. Uma delas é a adoção de uma estratégia transfusional mais individualizada, que prioriza, sempre que as condições clínicas permitem, a utilização de uma unidade de sangue seguida da reavaliação do paciente antes da indicação de uma nova transfusão.
Outra frente é o PatientBlood Management (PBM), abordagem centrada no paciente que reúne medidas destinadas a reduzir o risco de necessidade de transfusão durante a internação. A estratégia considera as condições clínicas individuais e envolve ações para otimizar o próprio sangue do paciente, minimizar perdas sanguíneas e tornar a indicação transfusional cada vez mais criteriosa.
“São processos que vêm sendo continuamente discutidos e aplicados pela Instituição, sempre com o objetivo de oferecer uma assistência cada vez mais individualizada e segura”, ressalta Gervatoski.
Para ele, ao promover novas discussões sobre o tema e manter essas práticas incorporadas à assistência, a Santa Casa reforça a importância de conciliar critérios técnicos e segurança assistencial com os aspectos éticos e jurídicos envolvidos no cuidado, respeitando a autonomia, os valores e as decisões de cada paciente.




