Santa Casa encerra Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência com reflexão sobre aumento de partos em adolescentes
Instituição reforça papel regional e destaca a importância da prevenção e da informação
A jovem H.C.C., de 15 anos, deu à luz na Santa Casa de Piracicaba e hoje vive a experiência de ser mãe adolescente
A Santa Casa de Piracicaba encerra a Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência, comemorada de 1º a 8 de fevereiro, destacando a importância da informação, da prevenção e do cuidado à saúde de adolescentes.
Entre 2024 e 2025, a instituição registrou um aumento de 28,57% no número de partos em adolescentes com até 18 anos, segundo dados do Setor de Controladoria Hospitalar. Em ambos os anos, a idade mínima das adolescentes grávidas foi de 13 anos, e a idade média foi de 17 anos. Para a enfermeira coordenadora da Maternidade, Janaina Felippe Higashi, os números reforçam a necessidade de atenção contínua ao tema. “Eles evidenciam a importância de ações educativas e de orientação às adolescentes”, afirma.
Como hospital de referência para gestação de alto risco na DRS X (Departamento Regional de Saúde), que reúne 26 municípios, a Santa Casa atende pacientes de toda a região. Por isso, os dados refletem não apenas a demanda local, mas também os fluxos de encaminhamento de casos que exigem acompanhamento especializado.
Apesar de uma queda nos últimos anos, a gravidez na adolescência ainda supera a média mundial. Dados das Nações Unidas indicam que, para cada mil adolescentes de 15 a 19 anos, cerca de 53 se tornam mães no Brasil, contra 41 globalmente. A gravidez também ocorre em idades cada vez mais precoces, atingindo meninas de 10 a 19 anos.
Do ponto de vista da saúde, a ginecologista e obstetra Milena Elisa Goes Dias Silva (CRM 141.626) alerta que a gravidez na adolescência aumenta os riscos de parto prematuro, bebês com baixo peso, eclampsia, transtornos mentais e até morte, especialmente devido a abortos inseguros ou complicações da gestação. O grupo mais vulnerável são adolescentes menores de 15 anos, situação agravada por fatores socioeconômicos e dificuldade de acesso ao pré-natal.
Milena ressalta que a gestação não planejada na adolescência envolve diversos fatores, sendo a falta de informação um dos mais recorrentes, e que as consequências vão além da saúde física e emocional, atingindo também a vida escolar e profissional dessas jovens. “É um ciclo que precisa ser quebrado por meio da informação, da educação e da prevenção”, conclui.
“Eu tive medo, chorei. hoje sei que preciso ser forte para ela!”
H. C. de C. tinha 14 anos quando descobriu a gestação, após procurar o posto de saúde por causa de um inchaço nos pés. “Eu estava com medo. Quando fiz o teste, me chamaram para conversar e ali eu descobri que estava grávida”, relembra.
Mesmo orientada a não se assustar, a notícia foi difícil. “Eu chorei muito, disse que não queria, porque era muito nova. Mas me explicaram que agora era uma responsabilidade minha”, conta.
A reação da família também foi marcada por choque. “Minha mãe ficou brava. Meu pai disse que ia me mandar embora. Mas hoje ele faz de tudo por mim e pela bebê”, relata.
H. iniciou o pré-natal após descobrir a gestação mais tarde, mas fez todos os exames e seguiu corretamente as orientações médicas. Conciliar a gravidez com os estudos foi um dos maiores desafios. “Não quero parar de estudar. Sei que vai ter uma pausa, mas vou continuar”, afirma.
Ao falar sobre ser mãe tão jovem, o sentimento é direto. “Medo. É uma responsabilidade muito grande. Agora sou eu que vou ter que cuidar dela”, desabafa.
Mãe de Ana Luísa, H. deixa um alerta a outros adolescentes. “Escutem a mãe e o pai. Conversem. Eu escondi muita coisa da minha mãe, e não vale a pena”, finaliza.




