Santa Casa realiza primeiro transplante ósseo de sua história
Paciente recebeu alta após três dias sem intercorrências e aguarda período de integração do enxerto
Os médicos Ben-hur e Moracy durante a cirurgia de transplante oesseo
A Santa Casa de Piracicaba conquistou um marco em seus 170 anos de existência no último dia 22 de agosto de 2025, com a realização do primeiro transplante ósseo de sua história. O procedimento de reconstrução de quadril foi conduzido pelos ortopedistas dr. Moracy Souza de Arruda Junior e dr. Ben-Hur Junitiro Kajimoto, com material fornecido pela Organização de Procura de Órgãos (OPO) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
O paciente Osmar Schiavinato necessitava do enxerto após complicações decorrentes de uma prótese de quadril desgastada. "O paciente apresentava uma perda óssea muito grande que impedia que a gente pudesse colocar uma nova prótese para substituir a articulação danificada", explica Moracy.
A cirurgia, que contou com 25 caixas cirúrgicas preparadas pela equipe da CME (Central de Materiais de Esterilização) da Santa Casa, exigiu coordenação entre as equipes médicas e os bancos de tecidos, considerando o tempo limitado entre o transporte do material e sua implantação. O convênio estabelecido entre a Santa Casa e o banco de ossos da Unicamp possibilitou o acesso ao enxerto homólogo.
"O enxerto ósseo homólogo representa uma alternativa quando há limitações na obtenção de osso autógeno (do próprio paciente)", explica Moracy. O médico destaca que várias condições podem causar perda óssea significativa: infecções, tumores, fraturas graves, próteses desgastadas, malformações congênitas e doenças reumáticas.
O paciente recebeu alta no terceiro dia pós-operatório, sem intercorrências. "O senhor Osmar está saindo praticamente sem dor e deve agora ter um acompanhamento pós-operatório no ambulatório de Ortopedia da Santa Casa. Deve retornar a caminhar somente daqui a alguns meses, depois que houver a integração de todo o enxerto", informa o cirurgião.
Durante o processo de integração, os osteons (estruturais básicas do tecido ósseo) do paciente penetram no osso doado e gradualmente o substituem por tecido ósseo próprio, vivo e vascularizado.
Para Lidiane Schiavinato, filha do paciente, o procedimento representa esperança. "Há uns 10 anos ele teve desgaste na prótese do quadril. E agora, com esse procedimento, pode fazer um novo enxerto. Estamos super felizes, principalmente com a alta", comemora.
A família também aproveita para conscientizar sobre a importância da doação de órgãos e tecidos. "Quero pedir que as pessoas continuem se conscientizando quanto a ser um doador, que é muito importante. Assim como ele precisou, eu posso precisar, qualquer um pode precisar. É o amor ao próximo", destaca Lidiane.
Moracy, que atua na Santa Casa há 42 anos, celebra o marco institucional. "É muito importante, mas o melhor mesmo é que o senhor Osmar teve o seu problema resolvido", conclui o ortopedista.
Emocionado, o paciente demonstra profunda gratidão pelo resultado. "Estou muito feliz por estar aqui e por ter feito a cirurgia”, afirma Osmar.
Segundo dados do Sistema Nacional de Transplantes (SNT) do Ministério da Saúde, o osso é o segundo tecido mais transplantado no ser humano, perdendo apenas para o sangue em transfusões. O Registro Brasileiro de Transplantes (RBT) da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) registra que, nos últimos quatro anos, foram realizados 32.308 transplantes de órgãos, além de 50.311 transplantes de córnea e 12.546 transplantes de medula óssea.