Saudação à mandioca
De anacoluto em anacoluto, a senhora idosa tornou-se onipresente e hiperbólica
Na edição anterior da Revista de Domingo, não falamos de como foi o governo de Dilma Rousseff. Ela entrou para o folclore nacional como sendo um ponto fora da curva no quesito discurso e lógica. Suas falas públicas eram motivos de chacotas e memes.
Um anacoluto ela corrigia com outro anacoluto e sua fala se perdia na incompreensão, na falta de clareza e na construção de raridades linguísticas. O resultado era sempre engraçado. Mas, sem dúvida, a moral da “presidenta”, bem como seu senso de lucidez, ia sendo reduzida acentuadamente a cada aparição pública. Um ser sem noção.
Um anacoluto, só para refrescar a memória, é caracterizado por alterar a sequência lógica da estrutura da frase por meio de uma pausa no discurso. Assim, o anacoluto realiza uma “interrupção” na estrutura sintática da frase.
A IA me deu essa série de máximas de Dilmês, que se tornaram inesquecíveis:
• “Não acho que quem ganhar ou quem perder, nem quem ganhar nem perder, vai ganhar ou perder. Vai todo mundo perder”.
• “Não vamos colocar uma meta. Vamos deixar uma meta aberta, mas, quando atingirmos a meta, vamos dobrar a meta”.
• “Eu saúdo a mandioca, uma das maiores conquistas do Brasil”.
• “Nós temos que fazer uma travessia... uma travessia, uma ponte para o futuro”.
Se a coisa ficasse por aí, teríamos apenas registros para a diversão, como as frases dos velhos técnicos esportivos. Mas não, Dilma dobrou a meta após alcançar a meta que não foi estabelecida, e se perdeu na gestão pública por uma assessoria ineficaz. No primeiro governo, Guido Mantega era seu ministro da Fazenda. Só podia dar no que deu.
O mundo vivia uma baita crise econômica. Dilma fez um primeiro governo passável. Mas a inflação estava em descontrole. Como todo governo petista, Dilma tentou manobrar a situação no braço, ao estilo Sarney, em seu segundo mandato, sem abrir mão do assistencialismo petista.
Depois foi tendo que encontrar saídas para erros administrativos que se acumulavam. Até que chegou nas famigeradas pedaladas fiscais, a forma encontrada pela sua equipe “da nova matriz econômica” para disfarçar a Lei de Responsabilidade Fiscal, que não conseguia mais cumprir.
Aos poucos, ela foi perdendo a força política, depois perdeu o controle da situação. Não custou nada para o impeachment. Até hoje, os petistas dizem que ela foi vítima de uma traição, de um golpe de Michel Temer, seu vice. “Foi gorpe!”. Mas quem a ‘impichou’ foi o Congresso Nacional.
O impeachment tem sim sua carga política e sustentar Dilma era cada vez mais difícil até para os seus aliados. Foi sorte do Brasil ela ter um vice com algum juízo e senso de realidade. Muita coisa boa e rápida aconteceu em seu governo, como a criação da MEI (temos aqui a mão de Mendes Thame) e a flexibilização das regras trabalhistas, que é criticada pelos sindicalistas. Foram recursos encontrados para minimizar o desemprego crescente e a chegada das novas tecnologias (aplicativos).
Temer, no entanto, foi aquele que encerrou o governo sob acusação de ter tido uma relação estranha com a JBS. “É preciso sustentar isso aí, viu”, disse em gravação grampeada pela PF. Corrupção. Não tem como. Vai e volta e a danada está sempre presente. Tanto é que em um momento de lucidez inexplicável, Dilma disse: “A corrupção é uma senhora idosa que pode estar em todos os lugares”. Eita velhinha danada.




