Trabalho ou estudo? Seade mapeia o perfil dos jovens no Estado de São Paulo
Como renda familiar, raça/cor e sexo influenciam a trajetória da juventude paulista rumo à formação profissional e ao primeiro emprego

A transição entre educação e trabalho representa uma etapa fundamental no processo de amadurecimento dos jovens. E muitos são os desafios que eles encontram nessa fase. Para embasar a formulação de políticas públicas voltadas à sua inclusão produtiva e à ampliação das oportunidades de acesso ao mercado de trabalho, a Fundação Seade analisou o perfil dos jovens no Estado de São Paulo.
Os resultados apontaram que, no grupo de 16 a 18 anos, 53,7% tinham como única atividade os estudos. E 16,5% conciliavam estudo e trabalho. Na faixa seguinte, de 19 a 24 anos, as proporções se invertem: 51,5% só trabalhavam e 18,3% estudavam e trabalhavam. Já entre os jovens de 25 a 29 anos, 70,6% só trabalhavam e apenas 9,5% ainda associavam estudo e trabalho.
Quando o elemento raça/cor é inserido, observa-se que, em todas as faixas etárias analisadas, a condição de somente estudar predomina entre os jovens não negros em comparação com os negros. Como esses tendem a ingressar no mercado de trabalho mais cedo, a proporção dos negros de 16 a 18 anos que combinam estudo e trabalho é maior do que a dos não negros. Já na situação de apenas trabalhar, os negros são sempre maioria, dos 16 aos 29 anos.
Renda familiar
A condição de não estudar, não trabalhar, não procurar emprego nem cuidar dos afazeres domésticos foi maior para os não negros do que para os negros. Segundo o Seade, isso pode ser explicado, em parte, pela renda familiar. Essa variável, aliás, constitui um dos principais determinantes do tipo de trajetória que o jovem poderá seguir. Nas famílias mais ricas, a possibilidade de prolongar os estudos e adiar o início da primeira experiência profissional é maior, evidenciando que as desigualdades de renda contribuem para a reprodução de diferenças educacionais e ocupacionais ao longo da vida.
Quando se avalia o recorte por sexo, verifica-se que, em todas as faixas, as mulheres são maioria entre os jovens que apenas estudam. Já entre os que só trabalham, os homens estão sempre na frente. Entre os de 25 a 29 anos, 61,4% de mulheres e 79,1% de homens estão nessa condição. Por outro lado, as mulheres superam os homens entre os jovens exclusivamente dedicados aos afazeres domésticos, em todas as idades. A diferença chega a ser de 10,8% para elas, contra 0,1% para eles, no grupo de 25 a 29 anos.
Fonte: Jornal da USP.



