Soberania seletiva
Redes criminosas são encaradas como organizações terroristas pelos EUA, e uma parte dos "especialistas" brasileiros no assunto não gostou da decisão
Sozinho, o Brasil tem condições de combater as ações do CV e do PCC? Pelo menos há décadas essas organizações mandam e desmandam nos morros do Rio de Janeiro e na periferia de São Paulo, destruindo famílias e matando trabalhadores, sem que nada de efetivo e eficaz se faça por parte do Estado para conter e controlar o ímpeto das lideranças dessas malhas do crime.
Elas atuam soberanas. Suponho que a população que vive sob o regime rigoroso dos agentes do PCC e do CV esteja feliz com a decisão de Donald Trump de transformar essas redes violentas e, reforço, completamente fora do controle do Estado Brasileiro, no que de fato elas são: Organizações Criminosas Terroristas.
O que têm afirmado publicamente os “especialistas” que são contra essa decisão? Eles tocam em uma palavra mágica, ao gosto do presidente Lula, que é a tal da Soberania. Ora, o Estado Brasileiro é soberano para ser vítima permanente dessa rede do crime, que atua em todo o território nacional e fora do país? O Estado já perdeu a soberania para esses criminosos há muito tempo.
O incrível é a defesa do setor financeiro contra a decisão, que também se vê sob o risco de sanções norte-americanas pelo fato de o dinheiro sujo do CV e do PCC estar hoje movimentando negócios podres na Bolsa de Valores. Os supostos entendidos no assunto consideram o fato de todo o sistema financeiro brasileiro correr o risco por causa dessa mudança de nomenclatura por parte dos EUA.
Vamos avançar. Fala-se inclusive que o Brasil pode ser prejudicado em sua estrutura de postos de combustíveis, uma vez que essas organizações também já invadiram o setor, comercializando produtos adulterados.
Ou seja, indiretamente, tudo o que se ouve até o momento contra a decisão de Trump, joga a favor dos criminosos, que não veem limitações para seus negócios em um país tão parcimonioso. E de onde vem a base dos seus recursos do CV e do PCC? Do comércio de drogas. Inclusive de comércio com os EUA e Europa.
Qual é o motivo do temor dessa elite brasileira que joga no time do crime? A tal da ‘Soberania’, uma vez que a transformação em Organizações Criminosas Terroristas abriria um flanco para ações independentes dos EUA contra elas, onde quer que elas estejam. Ou seja, agentes especiais em crimes organizados dos EUA poderiam atuar diretamente contra esses criminosos sem que o Estado Brasileiro saiba, ou algo assim. Como se faz na Palestina contra o Hezbollah, por exemplo.
Mas é fato que o Estado Brasileiro não tem a menor estrutura para combater essa rede, pois ela atua sem que o Estado Brasileiro saiba exatamente onde e como. Em síntese, isso quer dizer que a tal da Soberania vale para os EUA, mas não vale para o crime. Trata-se, portanto, de uma soberania relativa.
‘Ah, mas os criminosos são nossos’, vão dizer. Está aí um pensamento que joga contra a população brasileira, que vem sendo violentada diariamente por criminosos nossos. Joga contra o próprio Estado, que tem parte do seu território absolutamente fora do seu controle. Joga contra a economia, que vem sendo invadida por uma rede de fraudadores e investidores com lastro apenas em fonte de recurso advinda do crime: o comércio de drogas, e não o trabalho honesto. Além da contaminação do ciberespaço.
Volto, portanto, ao ponto original. Se consultarmos a populações que vive hoje como refém dos criminosos, será que elas teriam a mesma opinião dos defensores da tal Soberania? Afinal, nesses territórios dominados, os soberanos são os líderes dessas facções.
Briga política
Enquanto Lula faz e desfaz do dinheiro público para angariar votos, violentando a soberania financeira do povo brasileiro, estaria errado o seu opositor, Flávio Bolsonaro, de criar um fato novo com a ajuda do seu parceiro ideológico, Donald Trump? Afinal, transformar as facções do crime, que atuam no Brasil e no exterior, em organizações criminosas terroristas é crime?
Claro que sabemos que a decisão do presidente dos EUA é política e favorável a Flávio Bolsonaro. Mas a pergunta maior é a seguinte: o povo brasileiro é a favor ou contra tal decisão? O PT, que gosta tanto de falar em nome do povo brasileiro, deveria saber, ou, ao menos intuir, como eu, que a decisão americana conta com o apoio daqueles que melhor entende de soberania nacional, o eleitor e as vítimas do crime organizado. Isso não significa ser a favor ou contra este ou aquele candidato, mas de colocar mais informações em uma discussão real, que está começando e precisa desvendar o mistério dos defensores da soberania seletiva.




