Sem tomar ferroada
Primeira Hora de hoje vê o óbvio e conclui que de óbvio não tem nada
Aos poucos, se consolida a percepção de que Lula está cumprindo seus últimos dias de comando na política brasileira. As pesquisas indicam que os principais candidatos da oposição estão próximos de vencer o petista no segundo turno.
Zé Dirceu, o herói do povo brasileiro, não pensa assim. Acha que o seu partido está apenas em uma fase de transição para mais uma vitória. Nunca levei as análises de Dirceu a sério, nem ele deve se levar a sério.
Pelo histórico, Zé Dirceu fala de um mundo que não existe mais ou recebeu atualização, perdendo as velhas características. Ele fala de um mundo que já trocou de dono, mas, pelo jeito, não o avisaram. O pesado do jogo, hoje em dia, passa à larga do seu comando. Apesar de ele ainda contar com a ajuda dos seus e se achar.
Mas é fato que Alessandro Vieira, na CPI do Crime Organizado, ao propor o indiciamento de Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, além do PGR Paulo Gonet, agiu como quem quer provocar, depois de perceber que o jogo já estava perdido e sob o controle dos capa-pretas do STF, aos quais propôs indiciamento.
É uma estratégia vazia acusar quem vai decidir sobre a acusação. Além de que o Congresso Nacional se tornou uma capa protetora para qualquer tipo de irregularidade do STF e do próprio parlamento. Como diz o ditado popular: uma mão lava a outra e as duas lavam o cosa.
É preciso ser sutil para refletir sobre o cenário político nacional. Não basta apenas gritar para ser ouvido. A atenção é para não dar bandeira diante de hienas. A luta pela sobrevivência na floresta é um exercício de lealdade à hipocrisia. O menos esperto pega bagre com a unha em corredeira, sem tomar ferroada.




