Sessão Preguiça Colorida
Mais nostalgia, desta vez dos filmes que passavam na TV nas décadas de 1970 e 80. Só filmão, meu!
Esta era a vinheta, pena que não achei versão melhor.
Os mais velhos irão se lembrar da “Sessão Coruja Colorida”, da TV Globo. Os mais novos um pouquinho, da “Sessão Coruja”, que é citada em música do Cazuza. Os mais novos ainda, do “Corujão”. Ainda existe, mas ajudo no traço do Ibope, deixei de assistir TV aberta faz tempo.
Evolução das vinhetas, e do nome da sessão de filmes também. O que se manteve foi a coruja, que virou “Corujão”.
Se não me engano e bem me lembro, a “Sessão Coruja Colorida” passava nas madrugadas de sexta para sábado, e também de sábado para domingo. Quase completavam 24 horas da TV Globo no ar. Digo quase, porque, terminado o último filme, entre as 04 e as 05 da manhã, entrava a mensagem: “Faremos agora uma pequena pausa em nossa programação. Apenas o tempo necessário para você despertar para um novo dia, uma nova vida.”
Vi muitos filmes bacanas nesta sessão, que eram bons demais para a “Sessão da Tarde” mas que não atrairiam audiência se passados à noite na “Tela Quente”, “Temperatura Máxima” ou “Supercine” (putz, nesta só passava lixo - filmes feitos para a TV, e não para o cinema, no mercado americano. Sobra da sobra da sobra). Normalmente, filmes já antigos para as décadas de 1980 e 90. Filmes bíblicos como Barrabás e Ben-hur, sobre a antiguidade greco-romana, como Os últimos dias do Império Romano, Spartacus” de Stanley Kubrick e 2001, uma odisseia no espaço também dele. Irmão Sol, Irmã Lua, de Franco Zefirelli.
A carga da brigada ligeira e ...e o Vento Levou, musicais como Cantando na Chuva, O Mágico de Oz, Um dia em Nova Iorque com Gene Kelly, Frank Sinatra e Jules Munshin (em certa época, passava só na madrugada do Ano Novo; depois que venceu o contrato de exibição, passou para a TV Bandeirantes, que também o exibia na madrugada do dia 01 de janeiro). Musicais mais novos? Footloose – ritmo contagiante, Embalos de sábado à noite, Grease. Não me lembro de ter visto Xanadu, Shampoo ou Annie, a pequena órfã - embora me lembre de ver as sinopses nos jornais. Sim, naquela época a imprensa recebia a programação dos filmes das emissoras, e nós consultávamos os jornais para saber que filmes, ou programas, passariam no dia. Ou à noite. Naquela época, jovens, houve nos EUA uma publicação chamada TV Guide, um guia para a programação, já que o país sempre teve muitos mais canais do que por aqui. Enfim, só isso já daria outro texto.
O filme de 007, fora do cânone da franquia, estrelado por Peter Sellers e grande elenco, Casino Royale. O excelente Dr. Fisher de Genebra, com James Mason, baseado no livro de Graham Greene (ambos excelentes). O filme, descobri recentemente, que o diretor, Michael Lindsay-Hogg, foi o mesmo do documentário Let it Be, dos Beatles. E apesar de ser um telefilme, segundo a crítica da época (que fui ler no “Times”, na internet de hoje, claro), disseram que “estava acima da média para um telefilme”.
Dr. Fisher de Genebra: filmaço.
As Sete Caras do dr. Lao, de George Pal: não não, este era da Sessão da Tarde. Criança, assisti e achava que era um filme de terror.
Dois Velhos Rabugentos, com Jack Lemmon e Walter Matthau, engraçadíssimo.
Rocky, um lutador. Mortadela, lembro de ter visto a sinopse no jornal mas não consegui ficar acordado. Vários filmes de Woody Allen – Annie Hal (recuso-me a escrever o título péssimo em português), Manhattan, a Rosa Púrpura do Cairo, e outros “lado B”, como Zelig, A Última Noite de Bóris Grushenko.
Ficção científica como Blade Runner – o caçador de androides, Rollerbals – os gladiadores do futuro, Mercenários das Galáxias, Projeto Brainstorming, Geração Proteus... e muitos outros que me fogem da cabeça.
Como dizia meu pai, só “filmão”.
Não me lembro de ter assistido a filmes de Alfred Hitchcock. Tarantino ainda trabalhava na locadora, Cães de Aluguel ainda estava longe.
Minha versão retrofit e totalmente pessoal, um daqueles nomes internos, que só a gente usa (nem a esposa, nem os filhos) da “Sessão Coruja” é a Sessão Preguiça Colorida.
Pedi para o ChatGPT fazer uma vinheta, até que ficou bem simpática, não acham?
Quando vou escolher filmes para assistir, frequentemente, a preguiça vence e acabo caindo nos de sempre, naqueles que, segundo minha irmã psicóloga, estão na “zona de conforto”: não há riscos, você gosta deles, já sabe o que esperar.
Como, quando criança, que assistia trezentas vezes o mesmo desenho do Pica-Pau, ou os meus filhos, que assistem quinhentas vezes o mesmo episódio de Pokémon, assisto os mesmíssimos filmes por uma lassidão admitida, confesso que feia, nada virtuosa, por uma impotência que me impede de buscar indicações de produções mais novas. Não quer dizer que nunca assisto a filmes novos; só quero dizer que, em determinadas épocas, a Sessão Preguiça Colorida cai por aqui e demora a desencalacrar.
Mas caem nessa conta também filmes que, pasmem, não assisti na época, mas que foram sucessos ou reprisavam muito nas emissoras (lembram-se que os programas reprisavam, ao invés de repetir?) Aqui, filmes de todas as sessões da TV aberta, especialmente da Globo: não assisti a Bettlejuice, Dublê de Corpo, A Surpresa de Shangai, Os Aventureiros do Bairro Proibido, Ruas de Fogo, A garota de rosa-shocking, Conta Comigo, Dirty Harry, Dirty Dancing, Taxi Driver, Síndrome da China, e, (pecado mortal) Os Goonies. E muitos mais.
Vejam, tenho falhas sérias na minha formação.





