O excesso de chuva nos meses de setembro e outubro compromete o desempenho da lavoura canavieira. De acordo com o vice-presidente da Coplacana, Arnaldo Antonio Bortoletto, o cenário da safra deste ano é preocupante, porque está havendo impacto direto na colheita.
“As chuvas registradas em setembro e outubro dificultaram significativamente o ritmo do trabalho no campo. Em setembro, tivemos apenas seis dias de colheita e, em outubro, dez dias, o que representa uma redução expressiva no volume de cana processada pelas usinas”, explica.
A consequência direta, além da queda no desempenho da produção, é o que se projeta para a próxima safra. “Já trabalhamos com uma estimativa de que entre 15% e 18% da cana poderá permanecer em pé para a próxima safra. Com a continuidade das chuvas em novembro, a preocupação aumenta, especialmente porque o período tradicional de moagem se estende, normalmente, até aproximadamente 20 de dezembro. Ainda não sabemos se as usinas conseguirão manter suas operações até essa data”, detalhou Bortoletto.
Segundo ele, há um fator adicional que agrava ainda mais o cenário: o valor do ATR (Açúcar Total Recuperável), que determina o valor da cana colhida e entregue nas usinas. “Enquanto na safra passada a média de ATR ficou em torno de 142 kg por tonelada, neste ano estamos registrando entre 130 e 131 kg, uma redução de 10 a 12 kg de ATR. Isso impacta diretamente a remuneração do produtor, que enfrenta, ao mesmo tempo, dificuldades para colher e uma menor valorização da cana”.
O vice-presidente da Coplacana explica ainda que os reflexos financeiros já são percebidos no campo, com o aumento da inadimplência entre os produtores. “Afinal, quando o produtor não consegue colher, deixa de receber pela produção e, consequentemente, enfrenta dificuldades para honrar seus compromissos”.
O momento, portanto, é de acompanhar os últimos 40 dias de safra para avaliar o volume que ainda poderá ser processado e dimensionar, com maior precisão, quanto ficará para a próxima safra. “É um momento que exige atenção e cautela, pois os impactos das condições climáticas atingem diretamente o planejamento e a sustentabilidade financeira dos produtores”, conclui Bortoletto.




