Sexta-feira 13 é dia de azar, ou não?
Conheça a história do Dia Universal do Azar

Coincidências?
Para uma sexta-feira coincidir com o 13, é preciso que o mês comece com um domingo. No calendário gregoriano, que a maioria dos países do mundo segue, só são possíveis três sextas-feiras 13 em um ano.
É possível constatar que neste calendário, a cada 400 anos, voltam a ocorrer as mesmas coincidências de dia da semana e número do dia do mês. Verificou-se que em qualquer ciclo de 400 anos, o dia 13 do mês coincide mais vezes com a sexta-feira do que qualquer outro dia da semana (688 vezes, contra 687 das quartas e domingos, 685 das segundas e terças, e 684 para quintas e sábados). Sempre lembrando que essa ocorrência acontece somente no calendário gregoriano, de 365 dias anuais e 366 dias nos anos bissextos.

Superstição?
Mas para muitas pessoas a sexta-feira 13 é dia de azar. Que acreditam poder acontecer tudo de ruim – perdas financeiras, acidentes leves ou graves, consigo ou com familiares, e até desastres, naturais ou provocados. Somente pela coincidência de duas marcações no calendário.
Embora muita gente tente se prevenir carregando um trevo de quatro folhas, uma figa ou uma pata de coelho consigo, não há absolutamente nada comprovado cientificamente de que esta coincidência entre o sexto dia da semana e o número 13 provoque o aumento do número de ocorrências negativas, como crimes, acidentes ou desastres.
Diz-se até que o Destino – que os gregos associavam às Moiras, que detinham o fio da vida de cada pessoa, e podiam cortá-lo quando achassem conveniente – o causador oculto e caprichoso dos males à humanidade, teria eleito este dia como preferencial para aprontar das suas e amaldiçoar a vida com escorregões, fraturas e mais um dia para nos lembrar da má-sorte quase eterna do brasileiro com políticos e ministros do STF.
Portanto, acreditar que a sexta-feira 13 é um dia propício à má-sorte é superstição, uma crença que não se baseia em fatos reais – talvez explicada por um grande fato histórico que aconteceu na data, que trouxe azar de verdade para as vítimas (veja abaixo).
A única exceção conhecida foi o vírus de computador “Sexta-Feira 13”, que afetou milhares de PC’s no distante ano de 1988. E mesmo neste caso, não foi o Destino que determinou a ativação da praga cibernética e sim, o hacker que programou sua deflagração com data marcada – ou seja, um ser humano que agiu com (má) intencionalidade.
Origem
Associar a sexta-feira com o 13 depende da pessoa acreditar que o número provoca azar, malefícios ou maus presságios.
O número 13 está associado desde a Antiguidade com a má-sorte por conta de duas culturas que influenciaram muito a Europa: a cristã e a nórdica.
Na cultura cristã, nos Evangelhos, é contado que havia 13 pessoas sentadas à mesa do Cenáculo, onde aconteceu a Última Ceia, com Jesus e os 12 Apóstolos. Como Ele foi crucificado e morto no dia seguinte, uma sexta-feira, o número 13 traria ao crente que repetisse sua ocorrência acontecimentos tão trágicos quantos os de Jesus.
Na cultura nórdica, conta-se nos mitos que o rei dos deuses, Odin, convidou os principais deuses para um banquete no Valhala. Os presentes somavam 12 convivas. No entanto, Loki, o deus da mentira e da enganação, um outsider dos deuses, apareceu sem ser convidado, somando 13 presentes. Nem é preciso dizer que Loki causou a maior confusão: causou a morte de Balder, deus da alegria e da bondade, instigando Höðr, o deus das trevas, a atirar-lhe uma flecha com ponta de visco. Entre os nórdicos (os ancestrais dos atuais dinamarqueses, suecos, noruegueses, islandeses e finlandeses), para que não houvesse confusão nem azar parecidos, sempre evitavam o número 13 em qualquer ocasião.
Quanto à sexta-feira 13 propriamente dita, a explicação mais aceita é que o rei Felipe IV da França, no século XIV, queria diminuir a influência da Igreja sobre seus súditos. Depois de ter sido recusado na Ordem dos Templários, ordenou a perseguição de seus membros em uma sexta-feira, o dia 13 de outubro de 1307.
Muitos desses cavaleiros foram mortos em fogueiras, e também de outras maneiras, além de terem seus bens confiscados pelo rei. O grão-mestre dos Templários, Jacques Molay, foi executado em uma fogueira, e do meio das chamas, diz-se que amaldiçoou o rei Felipe e o papa Clemente V, profetizando que ambos morreriam dentro de um ano, no máximo.
Na modernidade
No entanto, não há registros anteriores ao século XIX da associação entre a sexta-feira e o número 13. A primeira vez que aparece registrada é na própria França: um personagem da peça Les Finesses des Gribouilles, de Edmond Rochefort, de 1834, afirma: “Nasci numa sexta-feira, 13 de dezembro de 1813, de onde vêm todos os meus infortúnios”.
O compositor de óperas Gioachino Rossini faleceu numa sexta-feira 13 (13 de novembro de 1868). Seu biógrafo, o inglês H.S. Edwards, escreve:
“Rossini esteve rodeado até ao fim por amigos que o admiravam; e se é verdade que, como tantos italianos, considerava as sextas-feiras um dia de azar e o número treze um número de azar, é notável que tenha falecido numa sexta-feira 13 de novembro.”
Mas a repulsa e temor pela data, na era moderna, começou mesmo nos EUA, com a publicação do livro “Friday, the Thirteenth”, escrito por Thomas W. Lawson e publicado em 1907. Na história, um corretor de ações da Bolsa escolhe este dia para quebrar Wall Street. A curiosidade é que Lawson era extremamente supersticioso; tendo enriquecido no ramo da exploração de cobre, construiu uma escuna de sete mastros (a única já construída), que acabou naufragando na madrugada do sábado, dia 14 de dezembro de 1907. Lawson, no entanto, jurava que ainda era sexta-feira 13. O sucesso de seu livro influenciou a cultura popular a ponto de criar uma superstição que antes não existia nos EUA – como uma fake news vintage.
A superstição foi alimentada por décadas de menções à data nos meios de comunicação de massa, como jornais, revistas e TV, ao longo do século XX. A série de filmes de terror “Sexta-Feira 13”, da década de 1980, protagonizada pelo personagem Jason Voorhees, só ajudou a aumentar a histeria.

Como dito no começo deste artigo, um vírus de computador tocou o terror nos usuários de PC na década de 1980. Outros nomes pelos quais o vírus tornou-se conhecido foram “Jerusalém” e “Estrela Árabe”. Talvez o azar dos habitantes do Oriente Médio com a presença de tantos grupos terroristas, um terror mais real e mortífero do que os filmes de Jason, tenham motivado o nome da praga virtual. Embora cause danos, perto da destruição que as guerras atuais causam, é quase uma diversão, perto da expectativa de males causados com sortilégios bruxescos ou “más energias” advindas de um dia da semana associado a um número demoníaco.




