Sintomas da Asma são reduzidos com programa que não utiliza medicamentos
Pessoas com asma moderada e grave tiveram sintomas minimizados com incentivos e metas de caminhada, além de reduzir depressão e ansiedade

Um estudo que utilizou entrevistas motivacionais, aconselhamentos e incentivos aumentou a atividade física entre pessoas com asma moderada e grave. Os resultados são apontados pela equipe de pesquisadores, no estudo conduzido no Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da USP e liderado pelo fisioterapeuta Fabiano Francisco de Lima, pós-doutorando, sob supervisão do professor Celso Carvalho.
Os participantes realizaram um programa de caminhadas, com metas estabelecidas semanalmente em conversa com os profissionais de saúde, até chegarem 7.500 passos por dia, o nível ideal para diminuir os sintomas da doença. Aqueles que seguiram as orientações de incorporar mais atividades físicas no dia-a-dia tiveram os sintomas de ansiedade e depressão reduzidos.
Os principais sintomas da asma são falta de ar, chiado no peito (sibilos), sensação de aperto no peito e tosse. A atividade física dDe acordo com Lima, a intervenção é chamada de “comportamental” pois não utiliza medicamentos, utilizando a técnica da conversa, através de convencimento, para mudar os hábitos das pessoas. “Ela é baseada em aconselhamentos e incentivos para aumentar a atividade física”, explica. “Foram realizadas entrevistas motivacionais, feedbacks positivos e orientações para superar as barreiras do dia a dia.”
Metas semanais
Foram combinadas metas semanais entre os pesquisadores e os participantes do estudo, de acordo com o objetivo de cada um. “O programa tinha oito sessões presenciais semanais, com duração de até 90 minutos”, relata o pesquisador. As entrevistas foram realizadas no HC. “Cada integrante recebeu um monitor de atividade física (smartwatch), disponível comercialmente, com um alarme que vibrava quando a meta diária recomendada de passos era atingida.”
Cem pessoas com asma moderada e grave, com média de idade de 52 anos, foram orientadas a realizar caminhadas diárias, aumentadas gradualmente até atingirem 7.500 passos. “O número de passos era monitorado no smartwatch pelo próprio paciente”, explica Lima. “Os participantes tinham uma meta individual diária de passos a ser atingida, que era ajustada semanalmente em conversas com cada um.”
Após essa etapa, que teve adesão de 96%, os participantes aumentaram o número de passos diários, passando a realizar atividades físicas mais intensas (caminhadas rápidas).
“Houve melhora nos sintomas da asma, na qualidade de vida e diminuição dos sintomas de ansiedade e depressão. A intervenção também mudou o comportamento das pessoas com asma em direção a um estilo de vida mais fisicamente ativo”, conta Fabiano Francisco de Lima.
“É importante que os profissionais de saúde recomendem sua prática [de exercícios físicos]”, ressalta. “Os resultados mostram também que o perfil que melhor responde à intervenção comportamental são pessoas com asma que caminham menos e têm peso menor.”
Para o futuro, os pesquisadores preparam um estudo sobre as principais barreiras enfrentadas pelas pessoas com asma para realizar atividade física.
O trabalho teve financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
A pesquisa, divulgada no congresso da ERS – European Respiratory Society, em outubro de 2025, na cidade de Amsterdã (Países Baixos). recebeu o prêmio ERS Congress Sponsorship, em setembro do ano passado, e foi publicado no periódico científico “The Journal of Allergy and Clinical Immunology: In Practice”.
O artigo Characteristics of responders in a behavioral intervention to increase physical activity in asthma: a pragmatic study with one hundred individuals está disponível aqui.


