Em outros artigos publicados no site viletim.com.br, escrevi que esta campanha entre Lula e Flávio Bolsonaro seria sui generis, que traduzo em português rural para “do gênero suíno”. A incultura seria a tônica e os fatos, como água de latrina.
Até que me surpreendi com o eleitorado, que tem dado aulas de civilidade por saber exatamente o que quer. As pessoas estão em busca de valores sólidos e que possam nortear o país nos próximos anos.
Depois de uma temporada de escândalos e de notícias vindas da sucursal Vorcaro e do STF dos mafiosos, estava na hora de um giro de 180 graus.
O Sudeste e Centro-Oeste do país elegeram novos nomes para os governos estaduais e o Congresso Nacional, renovando de forma significativa a Câmara dos Deputados e o Senado Federal. Parcela expressiva dos candidatos da velha guarda, envolvidos com malfeitos, não foi eleita, seja ela da direita ou da esquerda.
A disputa pela presidência se estendeu para o segundo turno, a fim de esfriar os ânimos e haver uma oportunidade extra de conversa e recomposição de forças. Assim, os candidatos a presidente puderam se reorganizar com os novos eleitos e planejar um cenário menos caótico para a disputa.
O eleitor consegue agora saber o cré com cré e o lé com lé, na linguagem popular. Ou na linguagem moralizante do “diga-me com quem andas que te direi quem és”. Ou ainda, para ser mais sofisticado, na linguagem bíblica: “O que anda com os sábios ficará sábio, mas o companheiro dos tolos será destruído” (Provérbios 13:20).
Nesse sentido, considero que a campanha vai esmaecendo os incautos e dando forma aos que sabem se adequar aos fatos. É difícil, eu sei, pensar em melhoria no caráter dos candidatos. Mas é o que temos e eles podem, sim, ser menos agressivos e amenizar seus aspectos “sui gêneris” que traduzi caipirescamente para “do gênero suíno”.
No primeiro debate (TV Band), parecia que eles haviam surgido da lama e para a lama voltariam. Mas a água que passou por debaixo da ponte deu uma limpada no cenário. Hoje o eleitorado tem a certeza de que a disputa está no limite da equidistância. E vai ganhar aquele que tomar um banho extra antes de ir ao debate da Globo.





