Terra do Nunca
As medidas irresponsáveis do governo Lula estão diretamente relacionadas com o processo eleitoral
Em editorial de hoje (Leia aqui!), o Estadão alerta novamente para o aumento de gasto do governo, sem qualquer previsão de receita nova para cobri-lo. E faz uma observação até engraçada: “A Lei de Responsabilidade Fiscal pode ser frequentemente ignorada em Brasília, mas continua valendo. Assim como a lei da gravidade, ela não foi revogada”.
As medidas irresponsáveis do governo Lula estão diretamente relacionadas com o processo eleitoral. O objetivo número zero é ganhar a eleição presidencial. O Brasil que se exploda. Se não houver nenhuma barreira para impedir a farra, os próximos quatro anos serão de lástima para o trabalhador.
Além do governo, o Congresso também atua na mesma linha, de endividamento do país. O objetivo? É ganhar as eleições parlamentares. Imagine você, caro leitor, se sair por aí queimando seu cartão de crédito, como contornaria essa situação no mês seguinte? Sua dívida tenderia apenas a aumentar de forma descontrolada, complicando ainda mais suas contas, até o colapso. Óbvio.
Mas como um país, em tese, não vai à falência, quem paga as contas? Todos os brasileiros, por meio de juros altos, aumento da inflação e custo de vida nas nuvens. É tão elementar que parecem pura maldade as ações do governo e do Congresso. Num primeiro momento, por beneficiar setores econômicos e categorias profissionais, a ilusão positiva predomina.
O problema é a esperança, apontada pelo editorial, de que o STF aja para barrar certas decisões. É incrível isso, o STF ter que se responsabilizar por decisões irresponsáveis dos demais centros de poder. Justamente Gilmar Mendes tem falado em Lei de Responsabilidade Fiscal em um ambiente maluco, parece piada. Durma com esse barulho.
Afirma o editorial: “Segundo estimativas da equipe econômica, o custo potencial das propostas que preocupam a Fazenda é de R$ 111 bilhões”. Mais: “O Senado aprovou a renegociação de dívidas rurais com impacto potencial de até R$ 140 bilhões, enquanto comissões da Casa avançaram com propostas que ampliam benefícios previdenciários e criam pisos salariais”. Ou ainda: “Soma-se a isso a ampliação da imunidade tributária para igrejas aprovada pela Câmara em maio”.
O pesquisador do Insper, Marcos Mendes, ainda segundo o editorial, identificou 33 medidas adotadas ou patrocinadas pelo Executivo que ampliaram despesas ou reduziram receitas, com impacto estimado em R$ 215 bilhões. Entram no pacote a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda e programas sociais. “No Congresso, a proliferação de pisos salariais nacionais para categorias específicas transformou-se numa espécie de populismo legislativo. Deputados e senadores distribuem promessas generosas sem explicar quem pagará a conta”.
Estamos nas mãos de gente desse timbre moral. Penso mais que seja desvio de caráter e não apenas desejo de ganhar eleições. No Brasil, como pensa as Bebéis da vida, dinheiro dá em árvore. Vive-se, segundo essa gente, em um bosque da Terra do Nunca.




