Daqui a pouco vem o “tesouraço”. Lula foi eleito como um anarquista, que vive em um mundo sem regras, onde o único capaz de equilibrar a estrutura funcional da sociedade seria ele. Reeleito, está tendo que ver o jogo de forma diferente. Porque há uma regra na economia que precisa ser respeitada, sob o risco de colocar o país em colapso.
O equilíbrio fiscal, por exemplo, depende de um governo minimamente sensato, que não gaste mais do que ganha. Lula aprendeu a gastar sem limite e fez uma campanha como se a realidade fosse uma massa nas mãos de um escultor. Em suas mãos, claro. Mas a ficha está caindo. Leia o que afirma o Estadão:
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deu sinais ao mercado financeiro em discurso nesta quinta-feira, 5, durante a primeira reunião do Conselho de Minerais Críticos. Lula disse que é preciso ter responsabilidade fiscal e “economia arrumada” para receber investimentos no setor e que ninguém vai querer fazer aportes em uma economia “totalmente desordenada”.
Daqui a pouco o presidente vai perceber que, mesmo com a responsabilidade fiscal, as contas não fecham, uma vez que não há orçamento para fazer tudo o que prometeu em campanha. Se ele passar por essa experiência com o mesmo espírito sensato e de reconciliação com a realidade como está fazendo em relação à responsabilidade fiscal, o cenário mudará a seu favor.
Para derrubar a inflação que corrói o salário das famílias, não há outro caminho a não ser mostrar que sabe exatamente o que está acontecendo no mercado. Porque é a conta pública que faz a taxa Selic estacionar em patamares elevados e os juros explodirem, com repercussão direta nas gôndolas dos supermercados. Para derrubar a taxa Selic, só com trabalho duro e cortes. Isso vale para todo mundo, até para Lula.
Daqui a pouco veremos, então, o homem falando em tesouraço. Claro que vai arrumar um termo mais leve e menos relacionado com o seu concorrente, Flávio Bolsonaro. Essa tomada de consciência, se ela vier, dará a Lula um novo escopo, de gestor que de fato saiu do mundo da fantasia.
Seus eleitores vão reconhecer que treino é treino, jogo é jogo, como diria Evaldo Vicente, de A Tribuna Piracicabana, parafraseando algum treinador esportivo. Mas isso demonstra um erro de Flávio, que perdeu para a fantasia. Isso demonstra um acerto de Flávio, que não estava errado no quesito economia.
Lula ganhou como Lula e terá que governar como Flávio Bolsonaro. Esta é uma conclusão delicada e com muitas variáveis, mas que revela a capacidade da natureza humana de se adaptar.
Com isso, o Brasil ganha e os bolsonaristas se acalmam. Em tese, claro. Seria uma jogada milagrosa de Lula e uma surpresa para o eleitor da oposição. O difícil é supor que Lula tenha essa sensatez. Mas, sem dúvida, seria a melhor reconciliação com o outro extremo do país.
Observação sobre o Paraguai:
O Paraguai está levando nossas indústrias. Já tem uma seleção de futebol melhor que a brasileira. Avançou no combate à corrupção com o impeachment do presidente. Só falta vender uísque legítimo. Se isso acontecer, o Brasil estará lascado.





