
Você sabe o que influencia a forma como cada motorista dirige? Um estudo conduzido pela Fundação Mapfre, em parceria com a Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), e desenvolvido pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) e pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), mostra que o medo de se atrasar e a pressão do dia a dia podem influenciar o comportamento dos motoristas.
Foram ouvidos mais de 1.540 motoristas de diferentes regiões do Brasil para investigar percepções sobre sinalização e velocidade no trânsito. De acordo com o professor Thiago Bastos, da UFPR, a velocidade é considerada um dos principais fatores de risco para acidentes pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Nesse sentido, é importante estudar as variações de velocidade nas áreas urbanas, já que esse é um dos principais fatores associados à morte de pedestres. “Cinco, dez quilômetros por hora a menos podem ser a diferença entre a vida e a morte.”
Objetivo da pesquisa
Em 2025, apenas no Estado de São Paulo, foram registradas 6.134 mortes no trânsito, de acordo com dados do Infosiga, do Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran-SP). O professor Cassiano Isler, da Escola Politécnica da USP, explica que o objetivo principal do estudo, realizado em parceria com a Fundação Mapfre, foi obter evidências sobre a influência do círculo social, das experiências anteriores e de aspectos psicológicos no comportamento dos motoristas.
A pesquisa também avaliou a disposição dos motoristas em reduzir a velocidade, ou seja, a intenção declarada de diminuir a velocidade ou respeitar o limite indicado para determinada via. Para isso, os pesquisadores apresentaram diferentes cenários urbanos aos participantes e perguntaram qual velocidade adotariam em cada situação. A comparação permitiu observar como fatores como a sinalização, as características da via e a presença de pedestres influenciam essa intenção.
O questionário utilizado na pesquisa foi desenvolvido originalmente pela Universidade de Brasília (UnB), em 2014, e aplicado, na época, apenas na capital federal. Para o estudo atual, os pesquisadores ampliaram a amostra para diferentes regiões do País.
Pressa pode dificultar o respeito aos limites
Um dos resultados mais importantes da pesquisa, na avaliação do professor Thiago Bastos, é que os condutores nem sempre desrespeitam as regras por discordarem delas. A correria do dia a dia e a pressão do trânsito podem fazer com que deixem de lado os limites estabelecidos. Além disso, muitos participantes revelaram ser influenciados pelo círculo social.
Os pesquisadores verificaram também que, quando há informação explícita e sinalização dos limites de velocidade, os motoristas tendem a respeitá-los mais. “Isso acontece principalmente nas vias locais, por exemplo, com e sem estacionamento e interseções, que são locais que têm grandes chances de ter pedestres circulando.”
Mudanças na gestão
A redução da velocidade no trânsito não depende apenas da intenção individual dos motoristas, mas também de medidas de gestão que contribuam para tornar esse comportamento mais seguro. Entre as estratégias estão campanhas de conscientização, fiscalização, planejamento urbano e mudanças no desenho das vias, como lombadas e travessias elevadas.
A própria configuração da rua pode influenciar a velocidade escolhida pelo condutor. Em muitos casos, quando a sinalização indica um limite baixo, mas as características da via sugerem que é possível trafegar mais rápido, pode haver um conflito entre esses dois estímulos.
Por isso, segundo os pesquisadores, é necessário alinhar a sinalização às características das ruas e avenidas, fazendo com que a própria via também reforce a necessidade de reduzir a velocidade, especialmente em locais com maior circulação e presença de pedestres.
Fonte: Jornal da USP.



