Pedir um carro pelo celular já faz parte dos deslocamentos cotidianos de grande parte da população paulista. Pesquisa inédita da Fundação Seade mostra que 76% dos moradores do Estado de São Paulo costumam utilizar transporte por aplicativo: 26% usam o serviço com frequência e 50%, de vez em quando.
O aplicativo, porém, não aparece necessariamente como substituto de outras formas de locomoção: 67% dos entrevistados também utilizam carro próprio e 57%, transporte público, mostrando uma rotina em que diferentes meios são combinados de acordo com a necessidade. O levantamento faz parte da pesquisa Seade SP Social e ouviu 8.189 moradores de 18 anos ou mais do Estado de São Paulo, entre maio e junho de 2026.
“Os aplicativos se incorporaram à rotina de mobilidade dos paulistas e hoje funcionam tanto como alternativa quanto como complemento a outros meios de transporte. É possível, por exemplo, fazer parte de um percurso utilizando ônibus ou metrô e recorrer ao aplicativo em outro trecho. Essa flexibilidade ajuda a entender a presença que esse tipo de serviço conquistou nos deslocamentos cotidianos”, afirma Irineu Barreto, pesquisador da Fundação Seade.
A segurança também aparece entre os efeitos percebidos pela população. Para 58% dos entrevistados, o transporte por aplicativo ajuda a evitar situações de risco e traz mais segurança, percentual que chega a 69% entre os usuários frequentes. Homens e mulheres apresentam percepção semelhante sobre esse benefício. Ao mesmo tempo, entre aqueles que não utilizam aplicativos, 9% apontam a insegurança como motivo - proporção que chega a 15% entre as mulheres, indicando que o fator pode tanto favorecer a escolha pelo serviço quanto representar uma barreira à sua utilização.
Uso mais frequente no dia a dia
Outro aspecto presente no dia a dia é o uso do aplicativo para completar ou substituir determinados trechos. Para 77% dos moradores do Estado, o serviço ajuda quando o transporte público demora ou é difícil de utilizar. Quanto ao destino, quase metade dos usuários (47%) recorre aos aplicativos para chegar a lugares próximos, enquanto 19% os utilizam para locais distantes. O custo também ajuda a dimensionar esse padrão: 78% das corridas custam até R$ 30, sendo 33% até R$ 15 e 45% entre R$ 16 e R$ 30.
O uso, além de disseminado, vem aumentando. Entre os usuários, 40% afirmam ter ampliado a frequência das corridas e outros 13% passaram a utilizar o serviço nos últimos doze meses. A adesão, contudo, não ocorre da mesma forma para todos. Entre os 24% dos paulistas que não costumam usar aplicativos, 51% alegam não ter necessidade do serviço e 17% apontam o preço elevado como motivo. Essa barreira financeira é mais presente entre as famílias de menor renda: atinge 30% entre os não usuários com rendimento familiar de até um salário mínimo.
Os resultados mostram, assim, que o transporte por aplicativo se consolidou como componente da mobilidade no Estado, inclusive fora dos grandes centros urbanos. O uso é igual ou superior à média estadual de 76% nas Regiões Administrativas de Franca, Santos, Campinas, Região Metropolitana de São Paulo, Ribeirão Preto e São José dos Campos. Os menores índices são observados nas RAs de Registro, Araçatuba, Presidente Prudente, Marília e Itapeva. Mesmo na região de Itapeva, que apresenta o menor índice de uso, ainda assim 60% dos moradores utilizam aplicativos.
Confira os dados completos em: https://spsocial.seade.gov.br/integra/?analise=mobilidade-da-populacao-e-transporte-de-passageiros-por-aplicativos




