Trump não pode brincar de Xerife
A transição na Venezuela não pode se alongar a ponto de se tornar um intervenção com outros interesses que não a democracia
O que mais se ouve hoje são especialistas em política internacional afirmando que a ação dos EUA na Venezuela foi ilegal e que Trump deveria ter consultado o Congresso americano antes de tomar a decisão de derrubar Nicolás Maduro. Vozes com essa lógica vêm, especialmente, de universidades brasileiras, onde se aprende de tudo, menos sobre a realidade no continente.
Goste-se ou não do que aconteceu, as duas observações acima parecem infantis. Em primeiro lugar, porque dentro da legalidade Maduro continuaria no governo, já que ele teve outras oportunidades para deixar o poder e simplesmente as ignorou, se impondo para permanecer no cargo, desrespeitando inclusive resultados eleitorais. E ninguém sabe o que fazer com ele. É um ditador.
Ao consultar o Congresso, a informação da derrubada do ditador vazaria, ganharia as manchetes dos grandes jornais do mundo e nada mais aconteceria após. Simples assim. Ou se fazia ao arrepio das leis internacionais e em sigilo, ou não se fazia. Trump escolheu a primeira opção, claro.
Pelo meu entender, o importante começa agora. Os EUA não podem permanecer no controle do país por muito tempo e devem convocar eleições gerais assim que o cenário interno se acalmar. O trabalho diplomático deve ser, portanto, para equilibrar as forças internas em prol de um mesmo objetivo: a volta da democracia na Venezuela.
Qualquer coisa que fuja dessa orientação parece ser arriscada e perigosa. A intenção de Trump de controlar a produção petrolífera pode ser levada a cabo em parceria com o governo venezuelano, eleito em eleições abertas e sob escrutínio internacional, para não haver dúvidas sobre o processo e não reforçar a tese de invasão por puro interesse econômico.
É sabido também que o objetivo de Trump é tentar conter o ímpeto chinês por petróleo de um país amigo. A China é o maior consumidor do petróleo produzido na Venezuela e, graças a essa divisa, Maduro consegue manter suas diabruras contra o povo. Enquanto esse mesmo povo afunda na miséria. É uma conta que não fecha e somente amplia o sofrimento da população local.
Claro que os EUA podem dar suporte militar ao novo governo venezuelano, mas sem a conotação de intervenção prolongada. Nada disso é fácil e Trump está correto em afirmar que a transição precisa ser segura para não se trocar seis por meia dúzia, permitindo que qualquer outro aventureiro do mesmo naipe de Maduro assuma o poder nessa transição e o cenário político continue o mesmo.
Não será um exercício fácil. As críticas internacionais contra os EUA tendem a se avolumar, principalmente vindas da esquerda. O ideal seria Trump esvaziar a tese de que ele pretende controlar toda a “América Ocidental”, como parece evidenciar em suas falas alopradas. Essa ideia de xerifão continental nunca foi boa e pode apenas acirrar os ânimos, desnecessariamente, ampliando conflitos entre nações. Trump não tem o dom de escamotear seus planos e isso perturba.
Mas o que aconteceu até o momento não justifica a postura do governo brasileiro de se alinhar com os tiranos, como China, Rússia e Irã. Lula, sob a batuta do delinquente político Celso Amorim, erra sempre. Caso a democracia não seja o destino da Venezuela, tudo indica que a dinâmica na América Latina, como diria Paulo Francis, voltará à sua vocação original, de América Latrina. Veremos.





Trump, Putin e Netanyahu formam o Eixo do século 21 (os três ficam muito bem de bigodinho).
Trump não citou uma única vez "democracia" no pronunciamento de ontem. Já "petróleo", foram inúmeras citações. Para ele, toda pessoa nascida do México para baixo é escória, e uma massa uniforme, sem distinção.
Isso em nada diminui o fato de que Maduro era um ditador terrível, uma desgraça para o povo da Venezuela. Mas eu defendo que as leis e tratados internacionais, assim como a soberania dos países, devem ser sempre respeitadas. Maduro precisava ser retirado do poder, mas com mecanismos legais e ações multinacionais.
Para meu desespero, essa opinião é compartilhada pela Marine le Pen...
Abriu-se um precedente perigosíssimo (tanto que já tem muito patriota por aqui pedindo que aconteça o mesmo no Brasil).
Sobre o desprezo de Trump pela Maria Corina Machado, que você cita no outro artigo, tudo dentro do esperado. Primeiro, ela é mulher; segundo, "roubou" o Nobel da Paz dele. E Trump nao suporta perder.