Tuberculose mata mais de 6 mil brasileiros por ano e País não atinge metas da OMS
Doenças infectocontagiosa, transmitida pelo ar, segue em alta no Brasil e exige diagnóstico precoce e adesão ao tratamento para ser curada
O infectologista da Santa Casa Sidnei Bertholdi Filho alerta para que a população reconheça os sintomas e busque atendimento sem demora
Neste 24 de março, Dia Mundial de Combate à Tuberculose, o Brasil enfrenta um cenário que combina persistência da doença, desigualdade social e sequelas do período pandêmico. O Boletim Epidemiológico Tuberculose 2025 aponta 85.936 novos casos registrados em 2024 e 6.025 óbitos em 2023. Ou seja, país ainda não atingiu as metas da Organização Mundial da Saúde para redução da incidência e da mortalidade pela doença.
De acordo com CCIH (Comissão de Controle de Infecção Hospitalar) da Santa Casa de Piracicaba, em 2025, a instituição diagnosticou 22 casos de tuberculose, sendo 11 casos da doença pleural e 11 casos de tuberculose pulmonar.
Para o infectologista e médico diarista da Clínica Médica da Santa Casa de Piracicaba, Sidnei Bertholdi Filho, a data serve como alerta para que a população reconheça os sintomas e busque atendimento sem demora. “Saindo da categoria ‘mal do século’ nos anos 1.800 para uma doença tratável e curável no século 20, a tuberculose ainda é muito prevalente na população. O desconhecimento do paciente ou a baixa suspeita pela parte do médico pode atrasar bastante o diagnóstico”, relata.
A doença é causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis e afeta, na maioria dos casos, os pulmões, mas pode se instalar em outros órgãos, como ossos, rins e meninges. A transmissão ocorre pelo ar, por meio de tosse, espirros ou fala da pessoa infectada — o que explica a alta taxa de contágio em ambientes com aglomeração e habitações insalubres.
Os sintomas da doença são típicos e reconhecíveis: tosse por mais de três semanas, perda de peso não explicada, febre baixa especialmente à noite, suores noturnos e dificuldade respiratória progressiva. “Importante dizer que se trata de doença subaguda, que se arrasta por algumas semanas e não tem desenvolvimento rápido”, alerta o médico.
As unidades básicas de saúde e unidades de pronto atendimento da cidade dispõem da infraestrutura para fazer este diagnóstico (raio X e acesso a exames). O principal exame envolve a coleta do escarro. O tratamento é todo feito no SUS, não existindo a possibilidade de comprar medicamentos para tuberculose na farmácia comum. Na cidade de Piracicaba estes pacientes são acompanhados por especialista em centro de referência, o Cedic (Centro de Doenças Infecto Contagiosas).
O tratamento dura no mínimo seis meses e envolve combinação de medicamentos. O tratamento preventivo (tratamento para a tuberculose latente – “dormente”) cresceu 30% em 2024, impulsionado pela ampliação de terapias de curta duração, de três meses, que já representam 72% do total. Ainda assim, a adesão ao esquema completo é um dos principais desafios. “A quantidade de comprimidos e a duração levam muitos pacientes a interromper antes da cura, favorecendo o desenvolvimento de cepas resistentes”, alerta o médico.




