Os candidatos com pendências no tribunal da verdade já resolveram suas questões e decidiram não tocar mais em pontos polêmicos, que possam comprometê-los ainda mais. Sendo assim, dão sequência às suas respectivas campanhas como se tudo estivesse resolvido.
Uma criança, quando quer se esconder, tapa os olhos. O gesto é maravilhoso para os pais emocionados. No caso de adultos, os gestos podem ser até agradáveis, quando se trata de brincadeiras entre amigos, flertes de casais, coisas de irmãos.
Mas um político tapar o olho como uma criança é vergonhoso. Tapar o olho aqui é uma metáfora para aquela postura que simplesmente ignora os fatos e se comporta como se não houvesse nada de errado em seu portifólio.
Cinismo, esta é a palavra que marca a campanha de Lula e Flávio Bolsonaro. Ambos estão enrolados e com dívida no cartório, mas são campeões em máscaras, em falta de sinceridade. Em tapar os olhos como crianças. Até aí, tudo normal no mundo em que vivemos. As pessoas se deixam levar mesmo pelas aparências e gostam de ser enganadas.
O pior é que votam pela aparência. Eleitores de Flávio já decidiram que a saída para os problemas imediatos é eliminar Lula, vencê-lo nas urnas e ponto final. Porque Lula se tornou um problema nacional. Elege Flávio e o resto vê depois, feita a transição de governo.
Para os lulistas, o melhor é manter alguém já conhecido no poder, para não cair em novas emboscadas que possam comprometer ainda mais a saúde democrática do país. Com tudo de errado que Lula já fez e ainda assim o país resiste, isso significa que nada mais pode piorar, mesmo com a continuidade do petista.
O eleitor do meio entende tudo isso, pondera sobre essas análises e decisões, lamenta e espera. Espera que algo de novo aconteça e que as pesquisas deem sinais de que algo diferente possa ocorrer no interior do processo e levar a um novo olhar da realidade.
E se nada acontecer? Bem, se nada acontecer, vale o pragmatismo do cirurgião. Primeiro elimina-se o tumor. Os tratamentos terapêuticos vêm depois. Qual tumor?




