Úlceras de córnea podem afetar a visão de animais
Quadros graves de lesão exigem cirurgia

As úlceras de córnea são lesões que podem atingir animais domésticos (cães e gatos) ou de grande porte (equinos e bovinos). De acordo com a oftalmologista veterinária Aline Bolzan, professora da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP, essas lesões afetam a parte transparente do olho, a córnea, e além de humanos, também ocorrem em animais.
Segundo a especialista, “as úlceras podem variar em gravidade. Em casos mais leves, são pequenas e superficiais, mas em situações mais graves podem se contaminar, desenvolvendo infecções secundárias causadas por bactérias e fungos presentes na própria superfície do olho, na pele ou nos cílios ao redor. Com isso, a lesão pode se aprofundar progressivamente”.
O colágeno, que forma a córnea, nas úlceras mais severas pode ser degradada de forma acelerada, levando à destruição do tecido. Esse processo pode resultar em perfuração do olho, e pode causar cegueira. Apesar desse risco, nem toda úlcera de córnea evolui para a perda definitiva da visão. Durante a lesão, a córnea pode perder a transparência, ficando mais opaca ou azulada, o que provoca uma redução temporária da visão. Com a cicatrização, a transparência pode ser restabelecida, e a visão recuperada.
Tratamento
O profissional especializado deve, em todos os casos, ser o responsável pela indicação de tratamento. Nos casos mais leves e superficiais, o uso de colírios específicos, prescritos por um oftalmologista veterinário, costuma ser suficiente. Nas lesões mais profundas, contaminadas ou com perfuração, por vezes é necessário recorrer à cirurgia. Geralmente, elas consistem em técnicas de recobrimento da lesão, que podem envolver o uso de membranas suturadas com auxílio de microscópio. Outras abordagens poder ser escolhidas, de acordo com a gravidade do caso.
A oftalmologista relata ainda o caso de um animal que recuperou a visão após o uso de lentes de contato. “O animal apresentava uma úlcera grave e teve a visão temporariamente comprometida devido à dor, à opacidade da córnea e ao lacrimejamento intenso. No entanto, não se tratava de cegueira permanente.”
Em algumas situações, mesmo quando a cirurgia é o tratamento mais indicado ela não pode ser realizada, seja por limitações clínicas do animal, que não pode ser anestesiado naquele momento, ou por restrições dos proprietários. Nesses casos, são adotadas alternativas terapêuticas, ainda que não sejam as ideais.
No caso do animal que recebeu lentes de contato, apesar de o tratamento não ter sido o mais adequado para a gravidade da lesão, a evolução foi favorável. A córnea cicatrizou, recuperou a transparência e o animal voltou a enxergar. A especialista ressalta que “não se trata de um tratamento milagroso para cegueira, mas de uma alternativa possível em situações específicas. O uso de lentes de contato não é uma prática recente. Elas já são utilizadas há algum tempo tanto na medicina humana quanto na veterinária como uma opção auxiliar no tratamento de determinadas úlceras de córnea”.



