A eleição do presidente do Senado é o assunto mais quente do momento em Brasília. Esta será a primeira prova real do poder da oposição no próximo mandato de Lula. Se Alcolumbre for reeleito, a oposição funcionará mais como um motor fundido, a fazer apenas barulho, sem força para movimentar absolutamente nada de relevante que possa oxigenar o jogo político.
A presidência do Senado está diretamente relacionada à blindagem de Alexandre de Moraes e da Suprema Corte como um todo. Os desmandos dos políticos de toga prevalecerão sempre, como quem comanda um jogo ganho, sem qualquer risco no percurso. Xandão vai mandar prender e soltar quem quiser.
O Supremo é o manto de Lula para continuar soberano, com sua narrativa de sempre, polindo sua imagem como se fosse um ícone inconteste a ser embalsamado para a posteridade. Seu filho Lulinha estará a salvo de qualquer insinuação que mexa com sua integridade e poderá viver em Madri em paz, como um fenômeno.
Até a decretação oficial do fim de carreira, a função de Lula será construir um sucessor pescado no mar revolto do petismo algum modelo possível para substituí-lo. Os peixes da esquerda são miúdos e chamam pouca atenção pelo talento natural. O empenho será construir alguém do zero, mas que traga consigo algo de essencial que provoque os sentidos. Não vai ser fácil.
No jogo pelo Senado, dois candidatos devem ao menos participar das negociações: Tereza Cristina e Rogério Marinho. Se eles forem mesmo figuras da oposição, poderão obter os votos necessários para amedrontar o establishment. Mas, como se diz, Lula é ninja e já está com Kassab no colo. O MDB também está na base do governo. Será um jogo de oportunistas e de oportunidades. É lamentável pensar assim, mas normalmente os oportunistas ganham.
Não se pode desistir. Há sempre um espaço para a surpresa. Inclusive porque não será nada tranquilo para o presidente encontrar um equilíbrio entre sua fanfarronice e algum equilíbrio fiscal, por mínimo que seja, capaz de amenizar o espírito do mercado. Os juros estão nas alturas e a iniciativa privada está proibida de fazer empréstimos, sob o risco de se enrolar em dívidas. O caminho natural da economia é a paralisia.
Com a economia engessada, a tensão social tende a aumentar e as placas tectônicas do poder começam a se mover novamente. É quando a oposição passa a ter uma nova janela de oportunidades para fazer a coisa certa.
Isso tudo depende da qualidade dos players em Brasília. Se o Brasil elegeu um monte de paspalhos, ficará evidente em breve. O certo é que os velhacos experientes sabem muito bem mexer os pauzinhos e controlar sem esforço os primeiros a mostrarem a cabeça no horizonte. Neste momento nasce a envergadura moral e a sabedoria para avançar.




