Um mistério nada misterioso
Trato das negociações sobre a paz na Ucrânia. Vamos ao texto publicado pelo Pravda ucraniano sobre a “colisão dos determinados”, em Paris, reunião ocorrida ainda hoje
Imagem: ChatGPT
Um mistério nada misterioso. Temos a impressão de participar de um roteiro escrito por Lilly e Lana Wachowski. Não chega a ser uma Matrix (o filme), pela sua dificuldade de construir cenários mais lúdicos e menos chocantes que um campo de batalha. Mas a estrutura dos discursos é sim delicada. Parece até controlada por seres que estão acima da realidade.
Trato das negociações sobre a paz na Ucrânia. Vamos ao texto publicado pelo Pravda ucraniano sobre a “colisão dos determinados”, em Paris, reunião ocorrida ainda hoje (6), envolvendo líderes europeus e americanos, além de Zelensky. Mais conhecida como “Coalizão dos Resolutos”.
O que disse o enviado especial presidencial dos EUA, Steve Witkoff à imprensa? “Acreditamos que basicamente concluímos o trabalho nos protocolos de segurança, que são importantes para o povo ucraniano saber que, quando isso acabar, será definitivo”.
Logo em seguida vem mais mistério: “Mas também acreditamos que estamos muito, muito perto de finalizar um acordo de prosperidade que será o mais forte já negociado por países que saíram desses conflitos, e que esperamos que abra enormes oportunidades para o povo ucraniano”.
Controlando o roteiro e dando a impressão de que fala como quem sabe mais do que o possível, vem o sinal de que algo está falho nessa obra em construção. Segundo Witkoff, entre as questões não resolvidas até o momento está o tema territorial (terra). Sim, o que Putin quer da Ucrânia.
“Esperamos conseguir chegar a alguns compromissos sobre esse assunto, mas quero dizer o seguinte. Estamos aqui para mediar e ajudar no processo de paz, e estamos prontos para fazer o que for preciso para alcançar esse objetivo”, disse Wiktoff. Noves fora?
Também participante da reunião, o primeiro-ministro britânico Keir Starmer resolveu quebrar a linguagem misteriosa da conversa e colocar mais realismo na mesa. Anunciou progressos excelentes no processo de negociação, mas observou que os passos mais difíceis estão por vir.
“Estamos mais próximos desse objetivo do que nunca [o fim do conflito bélico]. Mas as jardas mais difíceis ainda estão por vir”. Por quê? Putin, segundo ele, “não está pronto para a paz.” Bidu!
A síntese da ópera é a mesma, desde o início da invasão russa. Putin quer território ucraniano. Se ele não conseguir isso pela diplomacia, vai tentar na continuidade da guerra. A diplomacia engasgou diante de um louco obstinado. O que fazer? Ajustar o discurso para parecer que estamos vendo atores profissionais elaborando o texto de uma Matrix. Sofrível.




