A maior dificuldade para falar de futebol é a limitação até para as metáforas. Nelson Rodrigues foi o maior gênio no assunto. Mais importante do que suas análises, eram suas metáforas. Sobre a Copa do Mundo e a seleção canarinho, porém, não há hipérboles que me convençam até este momento.
Para fazer humor, é preciso ter algum senso de grandeza, senão o leitor tira juízo danoso das funções mentais do articulista. Por isso, não dá para dimensionar que time entrará em campo neste sábado (13/6/2026). Se passo do ponto, sou atropelado pelos fatos.
Sejamos francos, quem consegue cravar algum resultado entre Brasil e Marrocos que não seja puro chutômetro ou suposições ingênuas e fantasiosas baseadas em paixões evanescentes?
Claro que o time de Ancelotti pode entrar em campo iluminado e fazer um estrago no time adversário. Mas pode também entrar perdido e não encontrar a porta de saída ao longo do doloroso percurso de 90 minutos, encerrando sua via crucis inclusive com os pregos nas mãos.
Claro que todo torcedor prefere as hipérboles, de um ataque meteórico, uma defesa monumental, de um meio-campo exclusivo para a elite, que recorta o espaço como um maestro desenhando os extremos sonoros de Dvořák. Com o gol mais seguro que os cofres do Vaticano.
Mas isso pode ser apenas um devaneio, se Danilo estiver com as pernas esgotadas; se Paquetá não achar o ponto de inflexão para seus lances certeiros; se Igor Thiago ou Endrick não calibrarem a chuteira no posto Ypiranga.
Prefiro ser realista e pensar com os poucos neurônios que se dispõem a tratar do assunto sem me passarem rasteira. O Brasil vence, mas por pouco. Marrocos ficará com muita sede de um gol salvador, que não virá.
Não deixo escapar, evidentemente, uma possível goleada brasileira, só para manter meu gosto pelas hipérboles. Mesmo sendo um aprendiz de Nelson Rodrigues, sonho com a seleção canarinho registrando seus passos em um gramado mágico, em que cada toque na bola será um enigma a ser desvendado pela posteridade.




