As eleições deste 4 de outubro foram exemplares para a democracia. Em primeiro lugar, porque ocorreram sem grandes problemas no país. Em segundo, porque demonstrou a insatisfação do brasileiro com o governo federal, abrindo para a possibilidade de alternância de poder.
Sempre fui a favor de haver segundo turno quando se tem dúvidas sobre a melhor alternativa de governo. Agora vamos assistir às composições partidárias e apoios os mais diversos, que nos darão mais segurança em relação à escolha no próximo dia 25, relativizando de certa forma os extremismos.
De nada adiantaram os excessos de Lula tentando comprar votos de última hora, o que também ajuda a perceber o avanço político do eleitor, que não se deixou levar por balelas, fazendo sua escolha conscientemente.
Apontar as falcatruas do passado de cada lado neste segundo turno talvez não seja uma estratégia inteligente, uma vez que elas tendem a se neutralizar. Não há santinhos nesse quesito. Cada lado terá que provar, sim, competência e segurança em relação ao que pretende fazer.
O grande problema de Lula é o seu desgaste de material. O eleitorado demonstrou neste primeiro turno o desejo de mudança. Sugerindo que a hora de Lula deixar o poder e cuidar dos netinhos tenha chegado. Uma temporada na Espanha pode lhe fazer bem.
Flávio, por seu turno, se for o escolhido para governar o país pelos próximos quatro anos, que não caia na ilusão de que o eleitor estará lhe dando carta branca, porque não é verdade. Ele será vigiado do começo ao fim e não poderá brincar em serviço. Seu histórico não é nada bom e não se deixa raposa cuidando de galinheiro.
Somente um governo qualificado poderá limpar sua biografia das bobagens que já fez. Que seu possível governo não seja de enfrentamentos, mas sim de execução de projetos e de decisões para que o Brasil volte ao seu trilho de desenvolvimento.
Que Flávio deixe para o Congresso e para o Senado o confronto com o STF. Os ministros da Corte sabem o que fizeram no verão passado. É preciso que a Polícia Federal volte a funcionar sem barreiras e que a PGR seja atualizada, com um nome com viés democrático e livre para fazer o que precisa fazer.
Mas se Lula for o eleito, apertem o cinto, que teremos mais quatro anos de conversa fiada e um exercício sem fim para acobertar maus-feitos. Além do exercício inescapável de Lula para tentar turbinar a esquerda, como quem preparar um sucessor à altura para a sua incansável parlapatice e vontade de se perpetuar no poder.
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