A deputada estadual “Professora Bebel” disse à Tribuna Piracicabana que a vitória de Lula é uma “supervitória do povo”. Como leitor esforçado que sou, se Flávio Bolsonaro tivesse vencido, ou não seria uma vitória do povo, ou não seria uma vitória “super”, ou, talvez, não seria sequer “vitória”. Parece-me que, segundo a professora, o “povo” só ganha de fato quando o PT ganha. Um pensamento superprofessoral, não acha?
Lula, por sua vez, disse em seu discurso da vitória que Flávio é o “representante genuíno do milicianismo” (sic) e que não teria dentro de si “uma célula de humanismo”. Isso porque o momento era de unir o país em torno do seu nome. Mas ele preferiu o discurso do combate, como se ainda estivesse no palanque. Parafraseando Caetano Veloso, Lula não nasceu, estreou. Ou seja, nasceu e vai morrer no palanque.
O eleito disse também que não quer saber de jornalista mediando sua vida política, não, porque vai conversar direto com o povo a partir de agora. Lula descobriu o Instagram e, obviamente, seu palanque virtual. Tem até celular. Será uma fonte de ideias antiquadas e falsas que se propagarão nas redes. Fake news, ouviu falar? Sua lengalenga é vergonhosa. Sua noção de democracia, idem.
Enquanto a bolsa derrete, o reeleito articula com Alcolumbre e Hugo Motta as presidências do Senado e da Câmara dos Deputados. Sua luta, fica evidente, é para proteger Alexandre de Moraes e os demais capa-pretas do STF. Sua movimentação é uma amostra do que vai acontecer de bom no Brasil nos próximos quatro anos: nada.
Um amigo me diz que isso é apenas parte de um processo democrático. As articulações, segundo ele, seriam necessárias para dar estabilidade a uma gestão que se inicia, diante de uma oposição parlamentar forte e ruidosa. Eu diria que a articulação é necessária para dar sustentabilidade a um esquema de corrupção que se perpetua.
Com Lula, a corrupção vai mudar até de nome, e será uma afronta moral chamá-la pelo seu registro de batismo. Como dizia um conhecido que vendia uísque falsificado: “Aqui é tudo com nota”. Será uma democracia “super”.





