A derrota vergonhosa de Luciano Almeida (PP) na eleição de domingo é uma demonstração clara do quanto as pessoas acumulavam sentimentos negativos contra ele. São muitos os depoimentos que circulam a praça e corroboram esta afirmação. Como exemplo, o desrespeito do prefeito a interlocutores que não concordam com suas opiniões; desrespeito, inclusive, às pessoas que ele se predispôs a receber em seu gabinete, e que foram até lá com a intenção de ajudá-lo na gestão pública. É comum ouvir pessoas dizendo que ele tem o estilo ‘dono da bola’, que acaba com a partida sob qualquer tipo de provocação que não o favoreça, porque não suporta adversidade.
As críticas a ele não estão relacionadas necessariamente ao empenho da atual gestão para tentar melhorar a saúde em Piracicaba, por exemplo. Mas, sim, ao péssimo interlocutor que ele se demonstrou ao longo do período em que a população estava muito insatisfeita com os serviços públicos do setor. Nada era culpa dele. Tudo era depositado nas costas do prefeito anterior. O conceito de modernidade da gestão pública em seu governo, que poderia ser aplaudido, pelo estilo frio e pouco receptivo de Luciano Almeida, foi recebido menos como melhoria e mais como desumanidade.
Os professores da rede municipal não conseguiram esquecer as negociações difíceis em cada período de reajuste salarial. Durante a pandemia, os docentes, que se expuseram ao risco da doença em ambiente acadêmico e acabaram pegando a Covid-19, com a obrigatoriedade de terem que se afastar do trabalho por determinação médica, acabaram perdendo automaticamente seus benefícios, o que soou uma tremenda injustiça.
O mesmo aconteceu com os profissionais da saúde, que faziam a linha de frente no combate à pandemia. Imagine o sentimento das enfermeiras e assistentes que foram obrigadas a se expor ao vírus para tentar salvar pessoas, mas também acabaram penalizadas com corte nos benefícios a que teriam direito depois que adoeceram. O funcionalismo reagiu nas urnas, dando ao prefeito um recado duro e inquestionável: 'Não queremos você mais como nosso gestor'.
Nos períodos de chuva, os buracos nas ruas se tornaram dramas para muita gente. Piracicaba se tornou a cidade dos buracos, que proliferavam aos montes, colocando todos os motoristas ao risco de acidentes e de danos aos seus veículos. A demora da gestão pública para dar andamento às licitações de recape e tapa buraco era tremenda. O sentimento geral era de desalento. Evidente que no último ano de governo o cenário melhorou e começaram os recapes. Mas até aí, já era tarde, pois o sentimento de aversão ao prefeito já havia calado fundo na sociedade.
Nem mesmo seu vice, Gabriel Ferrato, foi poupado de tentativa de humilhação pública por parte de Luciano Almeida. Mas o professor soube agir com cautela e sair de cena sem criar alarde, deixando o prédio do Centro Cívico. A perseguição aos funcionários públicos mais antigos, em especial os comissionados, nos quais ele carimbava na testa o estigma de barjistas, foi a cereja do bolo. Edvaldo Brito (Avante) afirmou publicamente que ajudou LA a expulsar da prefeitura o que eles chamavam de “infiltrados”.
São muitos os fatores que levaram à rejeição ao atual governo. Luciano teve apenas 5.017 votos. Muito menos que o número de funcionários públicos. Número pouco superior aos votos obtidos pelo primeiro colocado à Câmara Municipal. Ary Pedro Júnior (PL) teve 4.683 votos, por exemplo. O partido de Luciano Almeida reelegeu apenas Josef Borges, com 1.715 votos. Mas a cadeira só foi possível na repescagem.
De nada adiantou uma pesquisa fake colocá-lo na segunda posição da preferência do eleitorado piracicabano, aos 45 minutos antes das eleições. A verdade era bem outra. A sua rejeição foi tão intensa que seria o mesmo que a população afirmar em alto e bom som: “Se o senhor não entendeu nada do que estávamos falando, do que estávamos lamentando, vamos desenhar agora”.




Que o LULUZINHO desapareça da nossa que Piracicaba,para sempre!