Uma disputa entre dois casos emblemáticos
Debate inexistente; um eleitorado preso ao vícios dos extremos; falta de imaginação no ar
Até o Estadão já pensa em uma alternativa a Flávio Bolsonaro. O editorial de hoje (20) deixa evidente a percepção do veículo de que é chegada a hora de algum movimento à direita para que Lula não leve o pleito logo no primeiro turno.
O jornalista Ricardo Noblat diz em seu artigo de hoje também, no site Metrópoles, que Lula já trabalha com essa possibilidade em mente (de fechar a eleição no primeiro turno), mesmo tendo que enfrentar uma ala de seu partido que discorda e vê mais dificuldades.
É fato que Flávio tem se desidratado a cada pesquisa. É fato também que o eleitor nem nem tem pensado em outra possibilidade, o que dá sustentação ao movimento de queda do seu nome. Mas a tese de que no segundo turno a direita se uniria contra Lula ainda segura o movimento para uma única direção, mesmo que de forma já capenga.
Segundo o editorial do Estadão, é chegada a hora de se pensar em uma alternativa a Flávio Bolsonaro. Mas os interesses políticos em questão são tão fragmentados, que é bem possível a ala bolsonarista escolher uma derrota calada para fazer barulho posteriormente, do que reagir agora.
Há, no fundo, alguns mistérios que alimentam a insensatez da direita. Há quem acredite, por exemplo, na possibilidade de Jair Bolsonaro ainda ser candidato. Algo impossível, mas que está no imaginário dos mais radicais. Ou até de que Flávio seja a encarnação do seu pai, faltando para isso apenas ajustes.
Há quem acredite em alguma notícia-bomba que possa derrubar Lula. No entanto, segundo Noblat, quem terá a surpresa de uma notícia-bomba tende a ser o candidato bolsonarista. Segundo matéria de hoje, é apenas uma questão de tempo para que uma manchete marota faça a cotação de Lula disparar.
Como o mundo da política está contaminado por tantas falcatruas e ilusões, não dá para acreditar em nada. O eleitor nem nem está mais perdido do que nunca. Vive uma sensação esquisita, que só vai se dissipar quando não houver mesmo mais alternativas para escolhas. Ou seja, se perdurar o quadro atual. Mas para que lado ele vai, eis a busílis.
A esquerda guarda um riso no canto da boca. Não são poucos os analistas que defendem Lula e afirmam a necessidade de mais quatro anos para o apedeuta, como se o voto útil estivesse novamente a assombra o eleitor nem nem, que resiste, por enquanto, a mais este truque de marketing.





