Uma guerra em seus momentos finais?
A Ucrânia resiste e está tirando o sono de Putin; o cenário na Rússia é de incertezas
O Estadão de hoje (15) traz boas análises sobre a guerra na Ucrânia. Especialistas consultados pela edição apontam para a fase crucial do conflito, que pode definir o lado vencedor. É o momento em que o tiro vem do céu.
Por falta de tecnologia para bloquear os ataques russos, os ucranianos usam a inteligência, em uma “guerra de adaptação”, e se armam de robôs terrestres e drones, capazes de executar funções complexas, que têm surpreendido os soldados inimigos.
Mas o ponto importante da matéria é a fase sensível em que Vladimir Putin vive. Para quem prometia uma guerra de semana, estar há mais de quatro anos em campo de batalha, desgastando seu país e sem a certeza de sucesso, criou uma dúvida estranguladora, e a Espada de Dâmocles paira sobre sua cabeça.
A população jovem foge de novos recrutamentos. Oligarcas preveem um futuro sombrio para Putin. Velhos aliados soviéticos perdem a expectativas de um final previsível para o conflito. Donald Trump, que gosta de ajoelhar aos pés dos vencedores, começa a ver Zelensky com bons olhos e já fala em liberar a produção de mísseis Patriot pela Ucrânia.
Segundo o próprio Zelensky, a guerra pelo ar é uma fase decisiva do conflito e será o fiel da balança. Por isso, por falta de mísseis Patriot para a defesa, ele aposta tudo na linha de frente, como seus soldados mecanizados e alta tecnologia, poupando, assim, vidas humanas.
Ninguém sabe, no entanto, o que se passa pela cabeça do tirano russo. Existe a possibilidade de ele brincar com armas atômicas com a finalidade de demonstração de força e de falta de limites. Nesse caso, ele perderia aliados fortes, como a China, capaz de colocá-lo em xeque, além dos demais países do ocidente, que não poderiam mais permanecer na condição de observadores privilegiados e passivos.
Por sua vez, Zelensky tem demonstrado relativa convicção de que a Ucrânia segue uma fase positiva crescente, destruindo alvos estratégicos dos russos na própria Rússia e na Crimeia. Tudo indica que, de fato, a guerra segue para o fim.
Por não haver qualquer sinal de desistência de ambos os lados, o último tiro será de quem administrar o tempo, o dinheiro, a tecnologia e as vidas humanas com maior qualidade. Além de manter alianças estratégicas. Em todos esses quesitos, parece que a Ucrânia tem levado a melhor.





