Para onde voam os políticos quando é tempo de delação? Parafraseio uma expressão criada pelos Cassetas quando Enéas Carneiro foi candidato a presidente da República. Eles diziam: “Para onde voam os Enéas quando não é tempo de goiaba?”
Empresários presos, porque estavam envolvidos em esquemas de descontos indevidos de aposentados e pensionistas do INSS, começam a pensar que abrir o bico e contar tudo o que sabem sobre o negócio fraudulento que comandavam, talvez seja a única saída para minimizar suas respectivas penas.
No caso do Banco Master, Vorcaro até foi transferido de presídio comum para a Superintendência da Polícia Federal em Brasília por causa da delação em processo de acordo com a Justiça. Seu cunhado, Fabiano Zettel, também está na mesma linha. Há outros ainda.
A luz vermelha acendeu bem na cabeça de Alexandre de Moraes, que sacou da algibeira uma ação do PT para que as delações tenham limites e possam ser controladas. Claro que eles precisam controlar o mecanismo que pode colocá-los no olho do furacão.
Foi a delação livre que colocou muita gente em maus lençóis quando da Lava Jato. O caso Marcelo Odebrecht tornou-se um exemplo icônico quando ele citou o “amigo do amigo do meu pai”, que era ninguém menos que Dias Toffoli, outro ministro do Supremo. Moraes, obviamente, não quer que isso aconteça com ele.
Mas a postura do careca-mor deixa cada vez mais evidente seu medo de que a situação fuja de controle, mais do que já fugiu, e ele escorregue na casca de banana e vá para a galera. Nesse sentido, o STF tornou-se um sistema de autoproteção, que tem recebido o apoio da maioria dos ministros. Alegam que a democracia precisa ser preservada.
Democracia, quantas coisas falam em teu nome! Parafraseei alguém, mas não me lembro quem. Para preservar a democracia, é preciso seguir questões básicas, definidas lá no século XIX, por Montesquieu, que tratam exatamente da independência dos três poderes e da harmonia entre eles.
No Brasil, vivemos a confraria entre os poderes e a interdependência para preservar as aparências de seus representantes legais. Porque a corrupção parece sem fim e, onde mexer, o bicho pega. A Polícia Federal sabe disso. O trabalho é bruto. Mas o exercício hoje de muitos ministros, senadores, deputados é de como escapar de possíveis encrencas e buscar a autoproteção.
Por isso o Senado não aprova qualquer pedido de impeachment contra membros do STF. Para não haver retaliação. Por isso o STF procura proteger a todos os da Corte, para não haver retaliação. Lula, enquanto isso, estuda a melhor maneira de ficar de bem com todos, porque tem uma eleição pela frente e sabe como anda a imagem do seu filho no mercado.
Há casca de banana espalhada por todo canto. Algumas delas são verdadeiros dinamites. Nunca se viu no Brasil algo nessas proporções. Há quem lembre do Banestado e o acordão que aconteceu na ocasião para salvar todos os envolvidos. Era um descalabro, como dizia Brizola. Esses analistas acreditam inclusive que estamos diante de um novo descalabro parecido com o Banestado, ampliado e potencializado.
Eu gostaria que as cascas de banana também fizessem delação. Aí saberíamos com quantos bananas são construídos os três poderes da República. Seria uma verdadeira explosão.




