A Unicamp firmou um acordo de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) com a startup Bionow, que tem a Celulose Nipo-Brasileira (Cenibra) e a Vale como acionistas, para aprimorar a qualidade do alcatrão, subproduto líquido gerado na produção de biocarvão, e viabilizar seu uso também como fonte de energia.
A pesquisa será conduzida pela Unidade Embrapii E-Renova, sediada na Faculdade de Engenharia Química da Unicamp (FEQ) da Unicamp, em cooperação com o Centro de Estudos de Energia e Petróleo (Cepetro). O projeto está inserido no programa Inovação para Pequenos Negócios e Startups, parceria estratégica entre a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).
“O Brasil tem um potencial enorme para produzir biocombustíveis a partir de resíduos florestais. O alcatrão, por exemplo, é altamente promissor, mas suas propriedades ainda precisam ser aprimoradas em termos de estabilidade, segurança no armazenamento, poder calorífico e manuseio”, explica Leonardo Vasconcelos Fregolente, professor da FEQ Unicamp e coordenador técnico do projeto.
O acordo firmado com estratégia da Agência de Inovação Inova Unicamp e partcipação da Fundação para o Desenvolvimento da Unicamp (Funcamp) prevê a geração de propriedade intelectual que poderá ser licenciada para a empresa. A parceria também viabilizará a oferta de nove bolsas de pesquisa: três de estímulo à inovação, para docentes, e outras seis entre pesquisadores em estágio de pós-doutorado e alunos de doutorado, mestrado e graduação.
“A inovação ganha força quando conectamos parceiros pela sustentabilidade e transição energética. Essa cooperação transforma um passivo ambiental em um ativo de alto valor tecnológico e econômico. É a essência da Inova Unicamp: conectar a ciência de ponta ao mercado para gerar impacto real na sociedade”, afirma Iara Regina da Silva Ferreira, coordenadora de negócios e inovação da Agência.
Descarbonização na indústria siderúrgica
A busca por alternativas aos combustíveis fósseis é hoje uma das prioridades das indústrias siderúrgica e de mineração. Entre as soluções em desenvolvimento está o biocarvão, obtido pela pirólise de resíduos florestais. Esse processo também produz o alcatrão, corrente líquida gerada a partir da queima de biomassa florestal e hoje pouco aproveitada.
Fundada em 2022, a Bionow nasceu com o propósito de apoiar a descarbonização de indústrias de difícil abatimento de emissões (hard-to-abate) por meio do uso de biocarbono e outras soluções de base renovável. “Ao garantirmos o aproveitamento integral da matéria-prima, transformamos o que seria descarte em um coproduto de valor agregado, o que fortalece a eficiência do processo e a competitividade da empresa”, afirma Ramon Correia, responsável pela área de gerenciamento de projetos e excelência operacional da Bionow.
Ao longo da pesquisa, a equipe vai testar processos físico-químicos de baixo custo. Os pesquisadores da Unicamp buscam soluções baseadas em processos de separação, sem a necessidade de reações químicas como a hidrogenação. Se os testes avançarem, o alcatrão aprimorado poderá ser usado como biocombustível e até matéria-prima para produtos químicos de maior valor agregado.
“Estamos contribuindo com uma startup para o desenvolvimento de tecnologias para o Brasil e gerando novos conhecimentos para a Universidade. O que a gente quer é um processo que funcione e que não seja caro para a indústria”, finaliza Fregolente.
Matéria: Ana Paula Palazi | Fotos: Igor Alisson | Jornal da Unicamp.







