Para um leigo como eu, quando vejo a campanha do terror petista nas redes sociais, que vai na contramão do resultado das urnas – favorável a Flávio Bolsonaro no primeiro turno –, penso da forma mais óbvia possível, vendo o lado da maioria do eleitorado: “Olha só que governo bacana, esse do Lula. Mas vamos acabar com ele mesmo assim, porque nós gostamos de destruir o país. Não podemos permitir que um governo tão bom como este pare em pé. Queremos a nossa desgraça.”
Além do raciocínio bizarro acima, penso também que, pela ótica do eleitor de Lula, a maioria dos eleitores do país não sabe votar, só eles, especialmente os petistas e lulistas. Sendo assim, precisam orientar o eleitor idiota de Flávio Bolsonaro para não cometer esta sandice novamente: “Olha o que vocês estão fazendo. Vão levar o país ao caos. Todos os programas sociais vão desaparecer, como desapareceu o prato de comida de Marina Silva em eleição anterior. Será o inferno na Terra. Bolsa Família, já era; Lei Rouanet, já era; Pé-de-meia, já era; incentivo à cultura, já era; vale isso, vale aquilo, já era; caneta emagrecedora, já era. É o fim da sensibilidade social.”
Mas o eleitor de Flávio sabe muito bem quem é Lula, pois o acompanha há três mandatos, mais um de Dilma. Ele não aguenta mais um governo que estabeleceu uma relação promíscua com o STF, com o Senado e com o Congresso Nacional; um governo cego para a corrupção; um presidente que já declarou publicamente sua aversão a qualquer reforma fiscal; um governo gastador e irresponsável; que não pensa o lado do empreendedor; um governo assistencialista e sem projeto para o país, além de se locupletar e se preocupar apenas em garantir a mamata dos seus.
Não se trata aqui de bolsonarismo travestido de opinião política. Trata-se, sim, de constatação do que vai pela cabeça do eleitor que não vota nesta eleição em Lula, porque não aguenta mais. Um eleitor que não é bolsonarista, mas que vê em Flávio a única oportunidade para esta mudança. Se há um candidato que faz sumir o prato da mesa da família, para o eleitor, este é o próprio Lula, uma vez que o custo de vida está nas alturas, com uma inflação exorbitante, permitindo ao pobre comer apenas macarrão com salsicha. Esta é a percepção real do eleitor de Flávio Bolsonaro, que pensa em alternância de poder antes que seja tarde. Isso não é bolsonarismo, é a luta pela sobrevivência.
Lula deveria ter um pouco mais de respeito com o eleitor que se cansou de ser enganado. O terror vai funcionar? Quem pode afirmar isso são as pesquisas eleitorais. Se o cenário apontado hoje pelas pesquisas se inverter, aí sim podemos dizer que o eleitor brasileiro é mesmo um ser esperto, que estava apenas brincando com Lula. Queria dar um sustinho (Uauuuu!) no encantador de serpentes, mas já caiu em si e vai agora fazer tudo certinho pelo grande ídolo. Como diz a galera que bem avisou ao mundo, petista bom é petista que ganha eleição, mesmo que para isso tenha que tirar da manga sua retórica para enganar ursinho de pelúcia.





