USP lança e-book sobre estratégias para enfrentar eventos climáticos extremos
Tatiana Tucunduva fala sobre o projeto e o desenvolvimento das estratégias de governança coletiva
O Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP lançou o e-book RUA – Resiliência Urbana em Ação, que fala sobre o projeto homônimo dedicado ao desenvolvimento de estratégias para ampliar a capacidade das cidades brasileiras de enfrentar eventos climáticos extremos por meio de governança colaborativa, ciência aplicada e participação social. Tatiana Tucunduva, pesquisadora colaboradora do IEA e integrante do projeto, fala sobre a trajetória até a publicação do livro.
“Esse livro nasce de uma percepção que vem se consolidando nos últimos anos de que a gente avança muito na produção de conhecimento sobre desastres, mas ainda enfrentamos dificuldades quando precisamos transformar esse conhecimento em ação. O que o RUA propõe é justamente aproximar esses dois mundos. Esse livro não é uma obra que descreve um problema de forma abstrata ou que traz teorias e conceitos. Ele é um material construído a partir da prática com quem está diretamente envolvido na gestão de riscos e desastres nas cidades. É uma grande alegria anunciar que esse livro agora está pronto e disponível, é para ser um instrumento muito útil.”
As etapas do desastre e o Marco de Sendai
Tatiana explica como o e-book é estruturado para cada ciclo do desastre, seguindo o Marco de Sendai como referencial internacional. “O livro é resultado de um processo que começou em 2024 com uma intensidade de articulação, onde a gente trouxe profissionais de diferentes áreas e diferentes instituições que têm atuação direta em contexto de crise para realizar encontros técnicos onde essa estrutura de fases de ciclo de desastre foi apresentada. O livro é organizado a partir das cinco etapas do ciclo de desastres: resposta, recuperação, reabilitação, reconstrução e prevenção.”
“Essa estrutura segue o Marco de Sendai, que é o principal referencial internacional para a redução de risco de desastres. É um documento que propõe uma mudança de perspectiva, o desastre não pode nem deve ser visto como um evento pontual, mas sim como um processo contínuo. Isso implica que a gente olhe não só para a resposta emergencial que é aquele momento onde o desastre aconteceu. Precisamos responder imediatamente para evitar mais perdas e para conseguir controlar o dano, mas não pode ser só isso, tem que ter todas as etapas que vêm antes e depois dessa resposta.”
“O que o RUA faz é aplicar essa lógica na prática. A gente analisou como as instituições atuam em cada uma dessas fases do ciclo de desastres, principalmente onde estão as lacunas que dificultam essa atuação mais integrada. O que a gente percebe é que, trazendo os profissionais das diferentes áreas, como Defesa Civil do Estado de São Paulo, Corpo de Bombeiros, Assistência Social, Secretaria da Saúde e todos que atuam nesse cenário, trazemos olhares diferentes e uma forma de enfrentar isso que varia”, explica Tatiana.
A tragédia de São Sebastião
A professora explica quais foram as principais referências para o projeto. “A tragédia de São Sebastião, que foi em fevereiro de 2023, foi a referência central para o nosso projeto. Foi um caso muito relevante porque ele traduz, de forma sintética, muitos dos desafios que a gente enfrenta hoje e que são considerados eventos extremos de alta intensidade, que causam um impacto severo sobre as populações vulneráveis, falhas de infraestrutura e dificuldades de coordenação entre as instituições envolvidas. Nos encontros técnicos, esse evento de São Sebastião, que é conhecido como a nossa maior tragédia climática – depois tivemos o caso de Rio Grande do Sul e vários outros que a gente cita no livro -, o que aconteceu em São Sebastião serviu como base para a gente construir alguns cenários concretos que a gente chama de gatilhos no livro. São situações como interrupção de comunicação, isolamento de comunidades, desaparecimento de pessoas e colapso de alguns serviços essenciais.
Tatiana finaliza explicando onde encontrar o e-book. “O livro já está disponível, ele está na biblioteca de livros abertos da USP, todos estão convidados a acessar por meio do site do RUA. Compartilhem essa leitura porque a gente observa que a resiliência não se constrói a partir de soluções isoladas, ela depende dessa articulação, continuidade e aprendizado coletivo. Nossa expectativa é que esse livro seja útil para os agentes de defesa civil, profissionais da saúde, gestores públicos, pesquisadores, estudantes e parlamentares para poder qualificar as decisões; mais do que um ponto de chegada, esse livro é um ponto de partida para que a gente consiga aprofundar esse trabalho coletivo e ampliar o espaço de diálogo, que é fundamental para avançar nessa agenda.”





